Durante décadas, a resposta parecia simples para muitos católicos: a árvore de Natal deve ser desmontada no Dia de Reis, a 6 de janeiro. A data marca, segundo a tradição cristã, a visita dos Três Reis Magos ao menino Jesus e assinala o encerramento simbólico do ciclo natalício. No entanto, esta convicção está longe de ser consensual — e o próprio Vaticano aponta outra orientação.
O Dia de Reis corresponde à Epifania do Senhor, momento em que, segundo a narrativa bíblica, Jesus se manifesta ao mundo com a chegada dos Reis Magos guiados por uma estrela até Belém. É por isso que, em muitos países de tradição católica, este dia continua a ser associado ao fim das decorações de Natal, incluindo a desmontagem da árvore e do presépio.
Apesar do peso cultural e religioso do Dia de Reis, o Vaticano não reconhece o 6 de janeiro como o momento final das celebrações natalícias. Para a Igreja Católica, o tempo do Natal prolonga-se até à festa do Batismo de Jesus, celebrada no primeiro domingo após o Dia de Reis. É esse momento que assinala, do ponto de vista litúrgico, o verdadeiro encerramento do ciclo.
Seguindo esta orientação, a árvore de Natal só deveria ser desmontada no domingo imediatamente a seguir ao Dia de Reis, data que varia de ano para ano consoante o calendário. Esta diferença entre a tradição popular e a leitura oficial da Igreja tem alimentado a dúvida que se repete todos os anos em muitas casas.
Tradição, simbolismo e crenças
A associação entre o Dia de Reis e o fim das festas de Natal tem raízes profundas. A data celebra a entrega de ouro, incenso e mirra a Jesus e simboliza o reconhecimento da sua natureza divina. Por isso, desmontar a árvore nesse dia representa, para muitos fiéis, o encerramento natural de um período de celebração, esperança e renovação.
Ao longo do tempo, surgiram também crenças populares associadas à data. Em várias culturas, desmontar a árvore antes do Dia de Reis é visto como sinal de impaciência, enquanto deixá-la muito além desse período pode ser interpretado como dificuldade em “encerrar o ciclo” e iniciar o novo ano.
Então, qual é a data certa?
A resposta depende do critério seguido. Quem privilegia a tradição popular mantém o hábito de desmontar a árvore esta terça-feira. Quem segue a orientação litúrgica do Vaticano opta por fazê-lo apenas no primeiro domingo após essa data, quando se celebra o Batismo de Jesus.
Entre a tradição e a doutrina, a dúvida mantém-se. E, ano após ano, a árvore de Natal continua a ser não apenas um elemento decorativo, mas também um símbolo de como fé, cultura e costumes nem sempre seguem o mesmo calendário.














