Há 87 mil automóveis a circular em Portugal que foram alvo de campanhas de “recall” por parte das fabricantes, mas cujos proprietários nunca levaram os veículos às oficinas para corrigir falhas identificadas. Em causa estão deficiências de vários tipos, potencialmente com impacto na segurança rodoviária.
O número foi avançado pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), citados pelo ‘Jornal de Negócios’, que identificou estes veículos como estando em incumprimento das chamadas promovidas pelas marcas. No total, as fabricantes já registaram mais de 300 campanhas de “recall” na plataforma criada para o efeito.
Portugal tem mais de seis milhões de veículos em circulação. Ainda assim, segundo a ACAP, o país apresenta uma das taxas mais baixas de cumprimento das operações de “recall”.
Contactos falham e reparações não avançam
As notificações aos proprietários são, regra geral, feitas por carta registada enviada para a morada constante na Conservatória do Registo Automóvel. Muitas das situações de incumprimento explicam-se pela impossibilidade de contacto com os donos dos veículos.
Através da plataforma RECALL – que pode consultar aqui -, criada pela ACAP em parceria com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) e com o apoio da Direção-Geral do Consumidor, os condutores podem verificar gratuitamente, inserindo a matrícula ou o Número de Identificação do Veículo, se o automóvel está abrangido por alguma ação de chamada por motivos de segurança.
Caso exista um “recall” pendente, a reparação é assegurada sem custos num concessionário da marca. Ainda assim, milhares de veículos continuam sem as correções exigidas.
Risco de chumbo na inspeção
Algumas das falhas identificadas podem colocar em risco o condutor e outros utilizadores da via pública. Por isso, os centros de inspeção periódica obrigatória já têm a responsabilidade de verificar se existem “recalls” pendentes.
A legislação prevê que, consoante a gravidade da deficiência, os veículos possam ser chumbados na inspeção caso as reparações não tenham sido efetuadas. No entanto, essa possibilidade ainda não está em vigor. A aplicação da medida depende de deliberação do IMT, que deverá anunciar quando entra em funcionamento o novo regime.
Filtros de partículas também sob escrutínio
Enquanto aguardam instruções sobre o controlo de “recalls” graves, os centros de inspeção preparam-se para reforçar a fiscalização das emissões poluentes. Está em fase de implementação a utilização de medidores de partículas para detetar veículos que circulam sem filtro de partículas.
A medida, proposta pela ACAP ao Governo, pretende apertar o controlo sobre automóveis que não cumprem as normas ambientais. Ainda não existe, contudo, uma data definida para que os novos testes passem a integrar formalmente as inspeções.
Com dezenas de milhares de carros a circular com falhas identificadas pelas próprias fabricantes, o tema dos “recalls” não cumpridos coloca novas questões sobre segurança e fiscalização nas estradas portuguesas.







