A hotelaria mantém-se como um dos segmentos mais dinâmicos do investimento imobiliário em Portugal, com 80 hotéis atualmente à venda concentrados em apenas cinco distritos, num retrato que confirma a forte atratividade dos principais destinos turísticos nacionais. Faro lidera destacadamente a oferta, seguido de Lisboa e do Porto, enquanto o Alentejo surge também com um peso relevante, num contexto marcado pelo crescimento sustentado do turismo e pelas taxas de rentabilidade associadas aos ativos hoteleiros.
Segundo dados citados pelo Jornal de Notícias (JN), com base nos números mais recentes do Idealista relativos ao mês de Outubro, o distrito de Faro concentra 24 unidades hoteleiras à venda, afirmando-se como o principal mercado neste segmento. Lisboa surge logo a seguir, com 20 hotéis disponíveis, enquanto o Porto ocupa a terceira posição, com 19 unidades, confirmando-se como o terceiro distrito com maior número de hotéis no mercado.
A oferta completa-se com o Alentejo, onde Évora contabiliza nove hotéis à venda e Beja oito, números que, apesar de inferiores aos das áreas metropolitanas e do Algarve, demonstram que o interesse dos investidores não se limita ao litoral. Ainda assim, os dados confirmam que Lisboa, Porto e Algarve continuam a concentrar a maior fatia da oferta hoteleira, mantendo-se como os principais polos de atração para o investimento imobiliário ligado ao turismo.
Para Francisco Bacelar, da Associação dos Mediadores do Imobiliário de Portugal (ASMIP), esta concentração geográfica é expectável, uma vez que “historicamente, as cidades mencionadas são as maiores do país na oferta, e também as mais requisitadas pelo consumidor”. O responsável sublinha que esta procura sustentada gera maior vitalidade nos mercados, valoriza o património e cria condições mais favoráveis para a colocação dos imóveis à venda, afastando a ideia de que se trate, na maioria dos casos, de vendas motivadas por dificuldades financeiras.
Na mesma linha, Paulo Caiado, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), considera que o aumento de hotéis disponíveis resulta da maturidade do sector, que classifica como “um ativo imobiliário maduro, previsível e enquadrado numa lógica de investimento estruturado”. Francisco Bacelar acrescenta ainda que cerca de dois terços do investimento no sector tem origem estrangeira, com especial destaque para Espanha, Reino Unido, França e Estados Unidos, reforçando o interesse internacional pelo mercado hoteleiro português.
A análise municipal revela que, apesar da liderança das capitais de distrito, a oferta não está totalmente concentrada. No distrito do Porto, 13 dos 19 hotéis localizam-se no concelho do Porto, estando os restantes distribuídos por Vila do Conde, Amarante, Felgueiras, Maia e Vila Nova de Gaia. Em Lisboa, a capital reúne 10 unidades, seguida de Mafra e Cascais, enquanto no Algarve a distribuição é mais equilibrada, com Faro e Lagos a liderarem, refletindo a diversidade e a robustez da oferta turística regional.














