A gripe A, causada pelo vírus influenza do tipo A, continua a registar casos em Portugal, apresentando sintomas semelhantes aos da gripe sazonal, como febre, tosse, congestão nasal e dor de garganta, podendo ainda provocar dores musculares, dor de cabeça, arrepios, fadiga, vómitos ou diarreia. Na maioria das situações, trata-se de uma infeção autolimitada, com resolução em cinco a sete dias, sem complicações associadas.
De acordo com informação divulgada pela DECO PROTeste, a capacidade de transmissão do vírus diminui significativamente após dois dias consecutivos sem febre, sendo este um indicador importante para reduzir o risco de contágio de terceiros.
Sintomas geralmente resolvem-se sem complicações
A evolução da gripe A é, na generalidade dos casos, favorável. O próprio sistema imunitário consegue eliminar o vírus sem necessidade de tratamentos específicos, desde que sejam adotadas medidas adequadas de repouso e controlo dos sintomas. Ainda assim, o aparecimento de febre persistente, dificuldade respiratória ou agravamento do estado geral deve motivar a observação médica.
Quando surgem sintomas compatíveis com gripe A, é fundamental adotar comportamentos que reduzam a propagação do vírus. As recomendações incluem contactar a linha SNS 24 (808 24 24 24) e seguir as indicações prestadas, permanecer em casa em repouso e evitar contacto próximo com outras pessoas.
É aconselhável medir regularmente a temperatura corporal e, em caso de febre, recorrer ao paracetamol, respeitando sempre a dose adequada à idade e ao peso. A administração de aspirina a crianças deve ser evitada, tal como a toma de qualquer medicação por grávidas ou mulheres a amamentar sem aconselhamento médico prévio.
Outras medidas incluem o uso de soro fisiológico para aliviar a congestão nasal, a ingestão abundante de líquidos — sobretudo água —, evitar bebidas alcoólicas e não recorrer a antibióticos, uma vez que estes não são eficazes contra infeções virais. Em situações de isolamento, recomenda-se manter contacto regular com familiares ou amigos.
Formas de transmissão do vírus influenza A
A gripe A é uma doença contagiosa que se transmite sobretudo através de gotículas respiratórias libertadas quando uma pessoa infetada tosse, espirra ou fala. Estas partículas podem atingir diretamente a boca ou o nariz de pessoas próximas.
O contágio também pode ocorrer de forma indireta, quando alguém toca em superfícies ou objetos contaminados e, posteriormente, leva as mãos aos olhos, nariz ou boca. O período de incubação varia entre três e dez dias, com uma média de sete, sendo que durante esta fase a capacidade de transmissão é mais reduzida.
Tratamento reservado a situações específicas
Na maioria dos casos, não é necessário recorrer a medicamentos antivirais. No entanto, em doentes de risco ou em situações de maior gravidade, podem ser prescritos fármacos específicos, como o oseltamivir (Tamiflu e Ebilfumin) e o zanamivir (Relenza).
Estes medicamentos atuam inibindo a replicação do vírus, mas são utilizados de forma criteriosa para evitar o desenvolvimento de resistências. Nenhum destes tratamentos é comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A vacinação anual continua a ser a forma mais eficaz de prevenir a gripe A e outras estirpes do vírus influenza. A imunidade conferida pela vacina diminui ao longo do tempo, o que justifica a necessidade de vacinação todos os anos.
As vacinas utilizadas contêm vírus inativos e não provocam a doença. Mesmo quando não há correspondência total entre as estirpes da vacina e as que circulam, a vacinação oferece proteção significativa, sobretudo nos adultos saudáveis. Nos idosos, embora a eficácia na prevenção da infeção possa ser menor, a vacina reduz a gravidade da doença, as complicações e a mortalidade.
A vacinação é particularmente recomendada para pessoas com maior risco de complicações e para quem vive ou cuida dessas pessoas. A composição da vacina é atualizada regularmente com base na vigilância global realizada pela Organização Mundial da Saúde, garantindo proteção contra a gripe A.
Diagnóstico raramente é necessário
Na maioria das situações, não é necessário confirmar o diagnóstico de gripe A. Existem, no entanto, exceções, nomeadamente quando é preciso orientar o tratamento ou identificar surtos em comunidades específicas.
Nesses casos, podem ser utilizados testes PCR ou testes rápidos de antigénio, semelhantes aos utilizados durante a pandemia de covid-19. Em Portugal, estão disponíveis autotestes em farmácias e parafarmácias que permitem identificar os vírus influenza A e B, havendo também testes combinados que detetam simultaneamente o SARS-CoV-2.














