A greve parcial dos trabalhadores da Carris, iniciada na passada segunda-feira, termina esta sexta-feira, após cinco dias de paralisações diárias nas primeiras e últimas duas horas de cada turno. Contudo, os sindicatos já convocaram uma greve geral de 24 horas para o próximo dia 12 de junho, véspera do feriado municipal de Lisboa.
A paralisação, convocada por várias estruturas sindicais — entre as quais o Sindicato Nacional de Motoristas e Outros Trabalhadores (SNMOT) e o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP) — foi decretada em protesto contra o impasse nas negociações com a administração da Carris, nomeadamente no que diz respeito à redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais e ao cumprimento de outros compromissos assumidos anteriormente pela empresa.
Durante esta semana, os trabalhadores da Carris — empresa responsável pela operação de autocarros, elétricos e elevadores urbanos na cidade de Lisboa — paralisaram durante duas horas no início e no fim de cada jornada de trabalho, afectando trabalhadores dos sectores de tráfego, oficinas e serviços administrativos.
Embora com serviços mínimos decretados por tribunal arbitral, os utentes da Carris foram confrontados com transtornos pontuais nas horas de maior procura, especialmente no início da manhã e ao final do dia. Segundo Manuel Oliveira, dirigente do SNMOT, esta greve parcial pretendeu ser “uma mensagem para a administração”, sem comprometer totalmente o transporte dos passageiros. Ainda assim, alertou que, “se não houver abertura para resolver os problemas, os trabalhadores estão preparados para intensificar a luta”.
O STRUP acusa a Carris de não cumprir acordos previamente estabelecidos, entre os quais a prometida redução progressiva do horário de trabalho para as 35 horas semanais. Em declarações à Antena 1, Manuel Leal, do STRUP, afirmou que “a empresa assumiu compromissos que agora não está a respeitar”, acrescentando que os trabalhadores se sentem desrespeitados e lesados.
Os sindicatos denunciam ainda o que classificam como um ataque a direitos constitucionais, nomeadamente no que diz respeito à contagem da greve para efeitos de majoração de férias. A Carris, por sua vez, mantém uma interpretação diferente da lei, o que tem motivado mais tensão entre ambas as partes.
Em resposta às críticas, o presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas, garantiu à agência Lusa que tem existido “um bom diálogo com as organizações sindicais”, mas reconheceu que as reivindicações representam um desafio financeiro e operacional para a empresa.
“Não conseguimos, num curto espaço de tempo, aumentar bastante as remunerações e, ao mesmo tempo, reduzir o tempo de trabalho”, afirmou. O responsável sublinhou que os encargos com as reivindicações sindicais rondariam os oito milhões de euros, valor que poderá até ser superior, acrescentando que a implementação imediata das medidas exigidas não é exequível do ponto de vista logístico.
Bogas recordou ainda que a empresa tem procurado avançar gradualmente com a redução do horário de trabalho. “Já reduzimos a carga horária efetiva para cerca de 37 horas e 30 minutos semanais, e em 30 de abril tivemos a primeira reunião do grupo de trabalho para planear a transição para as 35 horas”, referiu.
O descontentamento dos trabalhadores não termina com a greve parcial desta semana. Está já convocada uma paralisação total de 24 horas para o próximo dia 12 de junho, coincidindo com a véspera do feriado municipal de Lisboa (13 de junho), o que poderá causar perturbações significativas na mobilidade da capital.
Apesar disso, estão decretados serviços mínimos para a greve de dia 12. Entre as obrigações legais estão o funcionamento dos transportes especiais para pessoas com deficiência, dos postos médicos da empresa, bem como a garantia de operação a 50% do regime normal em diversas carreiras estratégicas, nomeadamente as linhas 703, 708, 717, 726, 735, 736, 738, 751, 755, 758, 760 e 767.
Desde que passou a estar sob gestão da Câmara Municipal de Lisboa, em 2017, a Carris tem estado sob constante escrutínio sindical. A empresa conta com diversas estruturas sindicais representativas, como o SNMOT, o STRUP, o Sitra – Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes, o Sitese – Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços, e a ASPTC – Associação Sindical dos Trabalhadores da Carris e Participadas.
Com o fim da greve parcial esta sexta-feira, os olhos estão agora postos em 12 de junho, dia em que se prevê uma nova jornada de forte contestação dos trabalhadores, caso não haja avanços nas negociações até lá.














