«Ninguém é insubstituível, mas nesta altura acho que faço falta, nem que seja para pequenas coisas. E enquanto conseguir estar, do ponto de vista físico, vou estar.» A afirmação é de Graça Freitas, directora-geral da Saúde, que aceitou o convite de Cristina Ferreira para estar esta manhã no seu programa na SIC.
Questionada sobre as dificuldades inerentes à exposição e ao trabalho que desenvolve todos os dias, que envolve comunicar com os portugueses e dar conta de todos os passos que o Governo está a tomar, Graça Freitas afirma que não é algo que tivesse imaginado, mas que se sente satisfeita com os resultados.
«Se me perguntasse, há três anos, se gostaria deste grau de exposição, eu diria que não. Mas uma vez que aconteceu, faz parte. Uns dias reajo melhor, outros não tão bem. Mas, de um modo geral, crei que consigo algum equilíbrio», afirma a directora-geral da Saúde, acrescentando ainda: «Acho que faço um trabalho honesto, que é feito com verdade.»
Graça Freitas refere ainda que o processo de comunicação é muito difícil, uma vez que as pessoas esperam da Direcção-Geral da Saúde (DGS) todas as respostas. No entanto, num tempo de incerteza como aquele que vivemos, ninguém tem todas as respostas e a responsável garante não ter problemas em admitir que não sabe tudo.
Um dos grandes focos de dúvida tem sido as máscaras. Quando usar? De que forma? Que pessoas? Graça Freitas realça que há novas aprendizagens todos os dias e que a situação se tem vindo a alterar ao longo das últimas semanas.
Neste momento, a recomendação é no sentido de usar máscara sobretudo em espaços fechados, como transportes ou lojas. No fundo, locais onde não é possível manter o distanciamento social. Mas a directora-geral da Saúde alerta que o problema neste tipo de recomenação é que «quando achamos que um método nos faz muito bem, tendemos a esquecer os outros e a descontrair e isso não deve acontecer».
O método de barreira não filtra totalmente e não nos deve impedir de lavar as mãos, higienizar as superfícieis e manter a distância. Não levar as mãos à cara é outro aspecto que é difícil de aprender. Mas é uma questão de treino e disciplina, diz a responsável.
Casamentos em Agosto?
«Não há possibilidade de equacionar. Nós não sabemos. A grande incógnita deste vírus é que não sabemos como se comporta nos meses mais quentes», ao contrário do que acontece com outros vírus da mesma família. Graça Freitas frisa que o melhor será os noivos com casamentos marcados para o Verão se prepararem para a possibilidade de avançar com uma pequena cerimónia, deixando a grande celebração para mais tarde, quando houver uma vacina ou imunidade.
A directora-geral da Saúde indica que o melhor será adiar a festa, mas não obrigatoriamente o casamento. Quem quiser casar, deverá fazê-lo, mas fazer a festa depois. «É preferível», afirma.
Como serão os primeiros tempos sem restrições?
Embora algumas restrições possam ser suavizadas em breve, os cuidados serão para manter. Graça Freitas admite mesmo ter receio de que o tempo que os portugueses estiveram fechados leve a cometer alguns erros: «Acho que esse é o apelo que temos de fazer», sublinha a responsável, comparando o vírus a uma perna partida e o fim da quarentena ao regresso às caminhadas: não podemos voltar a andar da mesma forma que fazíamos antes.
É precisa disciplina e manter a distância de segurança durante uns tempos – que não é possível especificar para já. Dependerá, por exemplo, do desenvolvimento e disponibilização de uma vacina. As medidas de higiene também são para manter, bem como as regras de etiqueta respiratória.
Graça Freitas conta que, ainda assim, será possível voltar a reunir as famílias na mesma sala, por exemplo, desde que sem beijos ou abraços e com distanciamento entre si. No mesmo sentido, nada impedirá alguém de sair de casa e ir esticar as pernas, cumprimentando os vizinhos à distância. Contudo, se alguém se aproximar, é necessário saber dizer que não e recusar apertos de mão, por exemplo




