Generais dos EUA vão pressionar Zelensky sobre o plano de paz e exigir que a Ucrânia abandone candidatura à NATO

Proposta em causa incluiria uma amnistia total por crimes cometidos durante a guerra, “ainda mais abrangente do que os crimes cometidos por militares russos”, segundo a fonte citada pela imprensa ucraniana

Francisco Laranjeira
Novembro 20, 2025
17:47

A proposta de acordo de paz entre os Estados Unidos e a Rússia está a ser usada como instrumento de pressão sobre Volodymyr Zelensky, num momento em que Washington prepara conversas ao mais alto nível com Kiev. De acordo com o ‘Kyiv Post’, a estrutura negociada nos bastidores prevê alterações profundas na posição estratégica da Ucrânia e exige concessões que colocariam o presidente ucraniano sob forte escrutínio interno e externo.

Segundo revelou a ‘RBC-Ucrânia’, Zelensky deverá reunir-se com generais americanos de alta patente, com o suposto acordo de paz a dominar a agenda. O objetivo dessas reuniões, refere a mesma fonte citada pelo ‘Kyiv Post’, é exercer pressão direta sobre o presidente para que aceite um conjunto de compromissos que envolvem mudanças estruturais na política de segurança do país.

Entre as exigências discutidas está a renúncia formal da Ucrânia ao objetivo de integrar a NATO, a ser garantida não apenas por Kiev, mas também pelos próprios Estados-membros da Aliança. A fonte indica ainda que estes contactos poderão ser seguidos de conversações adicionais com representantes russos.

A proposta em causa incluiria uma amnistia total por crimes cometidos durante a guerra, “ainda mais abrangente do que os crimes cometidos por militares russos”, segundo a fonte citada pela imprensa ucraniana. O plano contempla também o levantamento das restrições económicas impostas à Rússia desde o início da invasão em larga escala, reintegrando Moscovo nos circuitos internacionais.

Cenário militar da Ucrânia pode ser profundamente alterado

O documento prevê igualmente que Kiev reduza as suas forças armadas e abdique da receção de determinados armamentos ocidentais, assim como do acolhimento de tropas estrangeiras. Outra das cláusulas mencionadas sugere transformações no controlo territorial do Donbass, incluindo a criação de uma zona desmilitarizada e possíveis concessões territoriais por parte de Moscovo noutras regiões parcialmente ocupadas.

Até ao momento, nenhum dos Governos envolvidos comentou publicamente a alegada proposta. A ‘RBC-Ucrânia’ não identificou a fonte que descreveu o plano, tornando incerto o grau de formalidade das negociações. A ausência de declarações oficiais aumenta a pressão sobre Zelensky, que enfrenta simultaneamente expectativas internacionais e um cenário interno marcado pela resistência a concessões consideradas insustentáveis para a segurança do país.

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