A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, declarou esta quarta-feira que o seu partido, a União Nacional, votará para derrubar qualquer futuro primeiro-ministro que o presidente Emmanuel Macron venha a nomear, caso este não convoque novas eleições legislativas antecipadas.
“Cada novo governo é um artifício para contornar a vontade do povo”, afirmou Le Pen durante uma conferência de imprensa em Paris, numa clara mensagem de confronto político dirigida ao Palácio do Eliseu.
Le Pen exige novas eleições e acusa Macron de “ignorar o povo”
As declarações de Marine Le Pen surgem num momento de intensa crise política em França, desencadeada pela demissão do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, na passada segunda-feira. Embora Macron tenha aceite a demissão, o presidente incumbiu Lecornu de apresentar uma solução até ao final de quarta-feira para ultrapassar o atual impasse parlamentar.
A Assembleia Nacional francesa encontra-se fragmentada desde as eleições de 2022, sem uma maioria clara, e Le Pen tem aproveitado essa paralisia para pressionar o chefe de Estado. A líder da União Nacional afirmou que “qualquer novo governo que Emmanuel Macron tente formar será ilegítimo” se não resultar de novas eleições.
“Os franceses expressaram a sua vontade nas urnas, mas o presidente insiste em governar através de arranjos parlamentares que traem essa vontade”, acusou, defendendo que só a convocação de eleições antecipadas poderá “restabelecer a legitimidade democrática”.
Marine Le Pen dirigiu também críticas às restantes forças políticas francesas, acusando-as de “terem pavor” de regressar às urnas. “Os outros partidos estão apavorados com a ideia de novas eleições porque sabem que poderão perder lugares e que a União Nacional sairá reforçada”, afirmou.
As sondagens recentes indicam que a União Nacional continua a ser o partido mais popular de França, embora o sistema eleitoral de duas voltas torne imprevisível a tradução dessa popularidade em mandatos parlamentares.
Macron poderá escolher um primeiro-ministro de esquerda
Entretanto, multiplicam-se os rumores de que Emmanuel Macron pondera nomear um primeiro-ministro oriundo da esquerda, numa tentativa de quebrar o impasse político e garantir apoios mínimos no parlamento. O Partido Socialista, em particular, é apontado como o mais forte candidato a liderar um eventual governo minoritário, com o apoio tácito de outras formações da esquerda e de centristas pró-Macron.
Contudo, os socialistas colocaram uma condição: a suspensão da controversa reforma das pensões aprovada em 2023, que aumentou a idade mínima de reforma de 62 para 64 anos. A medida foi amplamente contestada nas ruas e continua a ser um dos pontos mais impopulares da presidência de Macron.














