Termina esta noite o prazo referido pelo primeiro-ministro cessante, Sébastien Lecornu, depois de declarar “terminada” a sua missão de negociar com outros partidos, para o presidente francês escolher um novo primeiro-ministro.
Embora tenha excluído a possibilidade de um regresso ao cargo, Lecornu insistiu que “um caminho é possível” e apelou a um Governo “completamente desligado das ambições presidenciais para 2027”.
Emmanuel Macron pondera nomear um primeiro-ministro oriundo da esquerda, numa tentativa de quebrar o impasse político e garantir apoios mínimos no parlamento. O Partido Socialista, em particular, é apontado como o mais forte candidato a liderar um eventual Governo minoritário, com o apoio tácito de outras formações da esquerda e de centristas pró-Macron.
Contudo, os socialistas colocaram uma condição: a suspensão da controversa reforma das pensões aprovada em 2023, que aumentou a idade mínima de reforma de 62 para 64 anos. A medida foi amplamente contestada nas ruas e continua a ser um dos pontos mais impopulares da presidência de Macron.
Marine le Pen já ameaçou derrubar qualquer primeiro-ministro escolhido por Macron
A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, declarou na passada quarta-feira que o seu partido, a União Nacional, votará para derrubar qualquer futuro primeiro-ministro que o presidente Emmanuel Macron venha a nomear, caso este não convoque novas eleições legislativas antecipadas.
“Cada novo governo é um artifício para contornar a vontade do povo”, afirmou Le Pen durante uma conferência de imprensa em Paris, numa clara mensagem de confronto político dirigida ao Palácio do Eliseu.
A Assembleia Nacional francesa encontra-se fragmentada desde as eleições de 2022, sem uma maioria clara, e Le Pen tem aproveitado essa paralisia para pressionar o chefe de Estado. A líder da União Nacional afirmou que “qualquer novo governo que Emmanuel Macron tente formar será ilegítimo” se não resultar de novas eleições.
“Os franceses expressaram a sua vontade nas urnas, mas o presidente insiste em governar através de arranjos parlamentares que traem essa vontade”, acusou, defendendo que só a convocação de eleições antecipadas poderá “restabelecer a legitimidade democrática”.
Marine Le Pen dirigiu também críticas às restantes forças políticas francesas, acusando-as de “terem pavor” de regressar às urnas. “Os outros partidos estão apavorados com a ideia de novas eleições porque sabem que poderão perder lugares e que a União Nacional sairá reforçada”, afirmou.
As sondagens recentes indicam que a União Nacional continua a ser o partido mais popular de França, embora o sistema eleitoral de duas voltas torne imprevisível a tradução dessa popularidade em mandatos parlamentares.

















