Florença proíbe refeições ao ar livre no centro da cidade: caos turístico transforma ruas em “pistas de obstáculos”

A medida gerou indignação generalizada: os moradores da cidade italiana argumentaram que as proibições não são suficientes, mas os restaurantes dizem que isso reduz o movimento

Francisco Laranjeira
Novembro 17, 2025
16:16

Muitas das grandes praças da cidade de Florença (Itália) e famosas estátuas renascentistas não poderão mais ser vistas de uma mesa de jantar, já que a câmara municipal parece determinada a impor restrições após reclamações de moradores sobre congestionamento e crescente poluição visual.

Segundo o jornal ‘The Times’, as regras que entrarão em vigor no próximo ano proibirão mesas e cadeiras ao ar livre em 50 ruas dentro do centro histórico protegido pela UNESCO e imporão regulamentações mais rigorosas em mais de 70 locais.

A medida gerou indignação generalizada: os moradores da cidade italiana argumentaram que as proibições não são suficientes, mas os restaurantes dizem que isso reduz o movimento.

Daniela, proprietária do ‘Ristorante Pizzeria Il David’, indicou que o seu restaurante poderá ser afetado. “Os nossos lugares ao ar livre são fundamentais”, apontou, sublinhando que tem capacidade para cerca de 60 pessoas na área externa: parte do sucesso deve-se ao facto de estar localizado perto do Palazzo Vecchio, um dos destinos mais populares da cidade transalpina. “Algo vai mudar, mas neste momento não sabemos o quê”, frisou.

O Palazzo Vecchio foi construído no século XIV e posteriormente modificado pelo último duque da Toscana, Cosimo I de’ Medici. Outros pontos turísticos onde será proibido o uso de mesas ao ar livre incluem a Ponte Vecchio, a Piazzale degli Uffizi e a Galeria Uffizi.

Outros 73 locais receberão orientações rigorosas sobre se os assentos ao ar livre podem incluir guarda-sóis ou barreiras de acrílico.

Nos próximos 30 dias, os vereadores decidirão se a cobertura plástica contra intempéries deve ser eliminada das grandes praças, incluindo as praças Signoria, Santa Maria Novella, Pitti e Repubblica.

Entretanto, os restaurantes serão incentivados a usar tapetes verdes que imitem relvado para indicar as áreas externas permitidas.

Ilaria Agostini, especialista em património cultural da Universidade de Bolonha, escreveu na revista online de esquerda ‘La Citta Manifesta’ que a medida não foi suficiente. No entanto, outros argumentam que as restrições causarão uma queda nas vendas de restaurantes, principalmente aqueles especializados em pratos tradicionais florentinos, como bistecca alla fiorentina, ribollita e pappa al pomodoro, e que esses restaurantes serão substituídos por estabelecimentos voltados para turistas, que servem comida italiana genérica.

O crítico gastronómico Leonardo Romanelli lamentou que os verdadeiros donos de restaurantes tenham começado a fechar as portas. “Eles são esmagados por custos impossíveis e por políticas municipais mais preocupadas com a estética dos espaços ao ar livre do que com a sobrevivência daqueles que deram vida a esses espaços”, disse Romanelli.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.