O número de cidadãos estrangeiros fiscalizados pelas forças de segurança em Portugal mais do que duplicou em 2025, refletindo um aumento muito significativo das operações de controlo da permanência em território nacional levadas a cabo pela PSP e pela GNR. Os dados revelam uma intensificação clara da fiscalização, tanto em número de ações como no volume de pessoas abordadas, num contexto de reorganização institucional e reforço das competências policiais na área da imigração.
Segundo dados solicitados pelo Público junto da Polícia de Segurança Pública e da Guarda Nacional Republicana, em 2025 realizaram-se cerca de 7300 ações de fiscalização em todo o país, um valor quatro vezes superior ao registado em 2024, quando tinham sido contabilizadas 1781 operações. Este aumento acompanha a consolidação de novos procedimentos após a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no final de 2023, bem como a criação de estruturas especializadas dentro das forças policiais.
O reforço das ações traduziu-se também num crescimento expressivo do número de cidadãos estrangeiros fiscalizados. No total, foram controladas 85.827 pessoas ao longo de 2025: 33.725 no âmbito territorial da PSP e 52.102 em operações da GNR. No ano anterior, tinham sido fiscalizados 38.634 estrangeiros, o que significa que o número mais do que duplicou. Em média, as autoridades controlaram cerca de 235 pessoas por dia em 2025, face a 105 por dia em 2024.
O aumento da fiscalização teve impacto direto nas detenções e nos processos de contraordenação. As detenções de cidadãos estrangeiros passaram de 96 em 2024 para 1523 em 2025, enquanto as contraordenações subiram de 2530 para 5448. Estas situações dizem respeito, sobretudo, a casos previstos na Lei de Estrangeiros, como permanência além do tempo legal ou entrada em território nacional sem visto ou documentação válida.
O superintendente Paulo Ornelas Flor, diretor da Unidade Central de Retorno e Readmissão da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, associa este crescimento a vários fatores, destacando “uma maior comunidade de população estrangeira a viver em Portugal” e a entrada em funcionamento dos 20 Núcleos de Estrangeiros e Controlo Fronteiriço da PSP, um por comando territorial. Em declarações ao Público, o responsável sublinha que 2025 foi um ano de consolidação do modelo e garante que a atuação policial não resulta de ordens políticas nem visa perseguir imigrantes, mas sim cumprir regras nacionais e europeias no espaço Schengen.














