Finance21 quer duplicar crédito à habitação e apoiar 6 mil famílias até 2026

A Finance21, a fintech da Century21 para a intermediação de crédito, intermediou 500 milhões de euros por ano. A meta, até 2026, é duplicar este valor, indica Ricardo Sousa, CEO da empresa, em entrevista à Executive Digest.

Filipe Gil
Outubro 2, 2025
8:30

Quais as diferenças que a Finance21 apresenta ao mercado face às outras fintechs e intermediários de crédito à habitação existentes em Portugal?
A Finance21 foi criada para democratizar o acesso ao crédito habitação, invertendo o modelo tradicional: primeiro a viabilidade financeira, depois a procura da casa. Essa mudança simples faz toda a diferença, porque ajuda as famílias a tomar decisões mais conscientes e sustentáveis. O nosso modelo distingue-se pela combinação entre tecnologia avançada – totalmente integrada com os principais bancos – e acompanhamento humano próximo, assegurado por mais de 400 intermediários de crédito certificados pelo Banco de Portugal. Em suma, somos uma fintech regulada que alia agilidade digital, ética e aconselhamento personalizado, garantindo um processo de crédito mais justo, simples e transparente.

Que tecnologia está no centro da plataforma?
A nossa infraestrutura tecnológica foi desenhada para oferecer rapidez, rigor e segurança em todas as etapas do processo. Temos APIs integradas com a maioria dos bancos nacionais, o que nos permite realizar simulações em tempo real, emitir FINEs e contratar crédito de forma digital. Automatizámos também a validação de documentação, incluindo a recolha segura de dados a partir de entidades oficiais como a Autoridade Tributária, Segurança Social e Banco de Portugal. Além disso, contamos com sistemas de compliance desenvolvidos em parceria com a consultora EY, que asseguram todos os requisitos de prevenção de branqueamento de capitais.

Definiram como meta “intermediar 1.000 milhões de euros anuais em crédito habitação até 2026, apoiando diretamente mais de 6.000 famílias por ano”. Como o vão fazer?
Já hoje intermediamos em média mais de 500 milhões de euros por ano, com um valor médio de processo abaixo dos 200 mil euros. A meta de 1.000 milhões de euros até 2026 assenta em três pilares: escalar a rede de mais de 400 intermediários certificados, expandindo para pontos de atendimento exclusivos Finance21; reforçar a integração tecnológica com os bancos, tornando todo o processo mais ágil; e consolidar a nossa proposta diferenciadora junto dos consumidores, que procuram confiança, transparência e simplicidade. Temos uma estratégia clara e sustentada para duplicar o volume atual, apoiando diretamente mais de 6.000 famílias por ano.

Até que ponto vão usar inteligência artificial, machine learning ou análise de dados para prever a solvabilidade, automatizar processos, melhorar a experiência do cliente?
A inteligência artificial e o machine learning estão já presentes em várias etapas do nosso processo, sobretudo na validação automática de dados e na prevenção de risco. Estes mecanismos permitem-nos agilizar a análise de solvabilidade, reduzir erros humanos e oferecer propostas personalizadas em menos tempo. No entanto, acreditamos que a tecnologia só faz sentido se estiver ao serviço das pessoas. Por isso, combinamos algoritmos inteligentes com a experiência e acompanhamento de especialistas certificados, garantindo uma experiência híbrida: digital onde faz sentido, mas sempre com suporte humano para decisões críticas.

Qual o volume de negócios que esperam atingir no primeiro ano de atividade? E qual a percentagem de faturação que a nova fintech irá contribuir para o Grupo Century 21 em Portugal.
O nosso foco principal não é a faturação, mas o impacto que conseguimos gerar em termos de acesso das famílias à habitação. No entanto, estimamos encerrar 2025 com um volume de crédito intermediado superior a 750 milhões de euros, o que representa já uma contribuição muito significativa para o grupo.
A Finance 21 nasce com autonomia e identidade própria, mas reforça naturalmente a proposta de valor da Century 21 em Portugal, acrescentando uma nova dimensão de serviços financeiros ao setor imobiliário.

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