O deputado do Chega Filipe Melo está a ser processado em tribunal por Joaquim Pinto do Vale, dirigente da concelhia de Barcelos do partido, que o acusa de não devolver três empréstimos pessoais num total de 6.500 euros. Segundo o Observador, a ação cível foi apresentada no Juízo Local Cível de Braga e visa a restituição das quantias acrescidas de juros de mora, estando o processo ainda em fase de contestação.
De acordo com o mesmo jornal, os empréstimos foram concedidos entre abril de 2023 e junho de 2024, alegadamente para ajudar Filipe Melo a ultrapassar “dificuldades económicas”. Pinto do Vale afirma que o deputado recebeu 2.000 euros em numerário e o restante por transferência bancária, tendo prometido devolver o montante total até dezembro de 2024, após receber o subsídio de Natal. “Certo é que tal não sucedeu”, lê-se na ação, que sustenta que o autor tentou sem sucesso reaver o dinheiro desde janeiro de 2025, inclusive por carta registada.
Na queixa, o militante do Chega descreve que o deputado se terá “aproveitado de uma relação de amizade e confiança” construída ao longo de mais de quatro anos de militância conjunta, marcada por participações em campanhas e comícios, inclusive ao lado de André Ventura. O advogado de Pinto do Vale, Firmino Lopes da Silva, confirmou que “a ação segue os seus trâmites normais” e que o objetivo é “recuperar os 6.500 euros em falta”.
O processo junta-se a um histórico de problemas financeiros do deputado. Em 2022, Filipe Melo admitiu à revista Visão que tinha cerca de 120 mil euros em dívidas “em resolução”, incluindo 25 mil euros em portagens, 800 euros em despesas médicas e 60 mil euros de créditos hipotecários. No mesmo ano, o Colégio João Paulo II moveu-lhe uma ação judicial por falta de pagamento de 15 mil euros, o que levou à penhora parcial dos seus rendimentos.
Além das dívidas, Filipe Melo já enfrentou várias polémicas políticas e judiciais. Foi acusado, juntamente com André Ventura, do crime de desobediência por participar num jantar-comício durante a pandemia, processo que acabou arquivado em novembro de 2023. Também foi visado numa queixa-crime por alegada intimidação a um candidato do Chega e acusado de usar membros de claques do Vitória de Guimarães para perseguir opositores internos na distrital de Braga.
Na Assembleia da República, o deputado foi alvo de várias queixas junto da Comissão da Transparência. A deputada socialista Isabel Moreira acusou-o de simular o envio “de beijos” durante uma sessão plenária, enquanto a socialista Eva Cruzeiro relatou que Melo lhe terá dito “vai para a tua terra”, levando novas queixas ao presidente do Parlamento.
Para a deputada Isabel Mendes Lopes, do Livre, o comportamento do parlamentar é “absolutamente execrável” e incompatível com a vice-presidência da Assembleia da República. O caso judicial agora revelado volta, assim, a colocar Filipe Melo no centro da polémica, com mais uma acusação de incumprimento financeiro dentro do próprio partido.














