«Houve claramente uma falha de planeamento», aponta Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), relativamente ao controlo da pandemia de COVID-19 na região de Lisboa. Em declarações ao jornal Expresso, o responsável sublinha que as unidades locais tiveram muitas dificuldades em dar resposta em tempo útil e que os reforços que acabaram por chegar mais tarde «deviam ter sido planeados e decididos muito antes, porque já sabíamos que era expectável, com a retoma da actividade, um aumento de casos em certos contextos».
Ricardo Mexia considera mesmo que «a DGS deveria ter dado indicações para o reforço de meios, inclusive para dar descanso aos colegas que estão a trabalhar de forma intensa e ininterrupta há muitas semanas».
O que o presidente da ANMSP indica é que pelo menos parte da culpa da incapacidade de controlar o surto na região de Lisboa se deve à falta de técnicos no momento certo. Segundo o Expresso, chegou a haver 100 casos positivos na Amadora em que não foi possível fazer atempadamente o trabalho necessário de identificação e isolamento de possíveis contactos. Por não haver técnicos suficientes, o inquérito epidemiológico tardou.
A mesma publicação indica que os meios extra começaram a chegar à Amadora no dia 15 deste mês, quase duplicando o número de elementos disponíveis para fazer o rastreio de contactos de casos positivos. No entanto, já tinham passado duas semanas desde que a equipa de saúde pública do concelho requisitou reforços. Este sábado, a equipa passa a contar com a ajuda de 10 a 12 médicos internos ao fim-de-semana.
Não existem públicos relativamente ao número de profissionais dedicados a este trabalho no total do País. Em Espanha, para dar resposta a esta falta de técnicos, foram contratados 770 profissionais só para fazer contactos na região de Madrid. No Reino Unido, foi anunciada a contratação de 18 mil pessoas.




