Falta de macas deixou 73 ambulâncias retidas nas urgências num único dia

A elevada afluência aos serviços de urgência hospitalares levou, num único dia, à retenção de dezenas de ambulâncias à porta de várias unidades de saúde, por falta de macas disponíveis.

Executive Digest
Janeiro 7, 2026
16:35

A elevada afluência aos serviços de urgência hospitalares levou, num único dia, à retenção de dezenas de ambulâncias à porta de várias unidades de saúde, por falta de macas disponíveis. Só na segunda-feira, pelo menos 73 viaturas de emergência ficaram impedidas de regressar ao serviço, atrasando o socorro a novos pedidos recebidos pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).

De acordo com dados divulgados à CNN Portugal pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, a pressão sobre os hospitais obrigou à utilização das macas das ambulâncias para acolher doentes, muitos deles colocados em corredores, o que deixou os veículos sem o equipamento indispensável para responder a novas ocorrências.

A situação mais crítica registou-se no Hospital Garcia de Orta, na Margem Sul, onde chegaram a estar retidas 23 ambulâncias em simultâneo. O problema verificou-se também noutras unidades, nomeadamente no Hospital Amadora-Sintra e no Hospital de Beja, com 20 ambulâncias paradas em cada uma, e ainda no Hospital de São José, em Lisboa, onde se contabilizaram dez viaturas imobilizadas pela mesma razão.

Esta falta de disponibilidade de meios poderá ter estado na origem do atraso no socorro ao homem que morreu no Seixal, onde a ambulância demorou cerca de três horas a chegar ao local após o pedido de ajuda. Segundo foi possível apurar, a demora terá resultado da indisponibilidade de viaturas, precisamente por estarem retidas em unidades hospitalares da Margem Sul.

Perante este caso, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) anunciou a abertura de uma auditoria interna à chamada recebida na terça-feira. “Esse primeiro passo foi determinado e essa auditoria à chamada está a ser feita”, afirmou o presidente do INEM, Luís Cabral, em declarações aos jornalistas no CODU de Lisboa, lamentando o desfecho fatal, mas rejeitando que o atual sistema de triagem tenha tido qualquer influência.

Luís Cabral explicou que a procura de meios teve início 15 minutos após a receção da chamada, mas que as ambulâncias não estavam disponíveis “porque estavam a ser retidas nas diferentes unidades de saúde da Margem Sul”. Apesar de garantir que “o sistema funcionou”, sublinhou que a falta de meios condicionou a resposta, defendendo que “não posso ter hospitais a funcionar com macas de reservas dos bombeiros”.

O presidente do INEM anunciou ainda que foram dadas indicações para que, a partir de agora, qualquer maca retida seja recolhida, reforçando que estas são essenciais para a resposta de emergência. “Não podemos deixar a maca e trazer ambulância sem maca porque esta depois não pode dar resposta”, afirmou, defendendo uma atuação mais rigorosa para evitar novas retenções de viaturas de socorro.

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