Por Débora Amaral, Growth Marketing Manager da Ironhack Portugal
A tecnologia tornou-se uma parte inegável da nossa vida, estando presente em todos os aspectos da sociedade. Desde os smartphones que usamos até à Inteligência Artificial em diferentes sistemas, estamos imersos num mundo repleto de inovações tecnológicas. No entanto, quando discutimos os avanços tecnológicos, raramente damos a devida atenção a uma faceta fundamental e interligada com este: a educação. Exemplo disto é a agenda da WebSummit de 2023, o maior evento de tecnologia em todo o mundo, onde se discutem estes avanços e inovações, e onde há apenas três talks sobre a educação de e para a tecnologia. Nestas conversas, serão discutidos temas como a necessidade de mudar a educação a partir do zero, como criar novos percursos de aprendizagem e como a tecnologia está a moldar o futuro da aprendizagem.
Numa época em que estamos a aprender a utilizar cada vez mais ferramentas com recurso a Inteligência Artificial e outras inovações tecnológicas que têm surgido nos últimos anos, é urgente incluir ainda mais educação nesta discussão. A tecnologia tem o poder de transformar a maneira como aprendemos, ensinamos e nos envolvemos com o mundo ao nosso redor. É imperativo que reconheçamos a estreita relação entre estes dois campos e a importância de os discutir em conjunto.
A tecnologia tem o potencial de revolucionar a forma como aprendemos. A acessibilidade a recursos online quebra barreiras geográficas e muitas vezes financeiras, permitindo que pessoas de todas as idades e origens tenham um acesso mais equitativo a oportunidades educativas que antes eram inatingíveis. No entanto, devemo-nos questionar: o acesso por si só é suficiente? Ou precisamos de ir mais além, garantindo que as pessoas estão devidamente capacitadas para utilizar as ferramentas tecnológicas de maneira eficaz? A inclusão digital não se resume apenas a oferecer oportunidades, mas sim a equipar as pessoas com as capacidades para aproveitarem ao máximo o que a tecnologia tem para oferecer.
A tecnologia está rapidamente a tornar-se uma faceta intrínseca aos locais de trabalho e à sociedade em geral, tornando a capacitação para navegar neste ambiente não apenas uma vantagem, mas um investimento no desenvolvimento contínuo e na resiliência futura. Assim, dotar os indivíduos desde cedo com as competências certas para entender e utilizar a tecnologia não os prepara apenas para os desafios presentes, mas também lhes dá competências essenciais para prosperar num futuro em constante evolução.
O medo de que a inteligência artificial e a tecnologia venham a roubar empregos é uma narrativa comum, mas é crucial desmistificar essa ideia. Enquanto algumas posições tradicionais podem vir a ser automatizadas, a realidade é que a tecnologia está também a criar oportunidades que exigem competências diferentes. Em vez de substituir empregos, a tecnologia está a redefinir o mercado de trabalho, exigindo uma adaptação constante e uma nova gama de competências por parte dos profissionais e das organizações. Portanto, a questão não é perder empregos, mas sim preparar as pessoas para as oportunidades que estão por vir.
Este artigo não é apenas uma reflexão, mas também um apelo à ação. Para garantir que estamos prontos para a revolução tecnológica, a educação em tecnologia deve ser introduzida desde cedo no nosso sistema educativo. Mais do que uma disciplina adicional, deve surgir como a base sobre a qual as competências cruciais para o século XXI serão construídas. A introdução da educação tecnológica desde os primeiros anos de escolaridade prepara os jovens para os desafios futuros e também os capacita a serem os criadores e inovadores de amanhã.
Daqui para a frente haverá cada vez mais competências que serão essenciais no setor tecnológico e não só, como saber programar, ter conhecimentos em cibersegurança, compreender algoritmos e ter conhecimentos sobre plataformas de “nuvem”.
Em última análise, a pergunta persiste: estamos a capacitar verdadeiramente as gerações presentes e futuras para enfrentar os desafios e abraçar as oportunidades oferecidas por um mundo cada vez mais conectado? A resposta moldará não apenas o nosso presente, mas também o futuro digital que estamos a construir.



