O príncipe André, filho da falecida rainha Isabel e irmão mais novo do rei Carlos, voltou a estar no centro das atenções após a publicação do livro póstumo de Virginia Giuffre, uma das acusadoras mais conhecidas do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. De acordo com a agência ‘Reuters’, o livro detalha novas alegações de abuso sexual contra o príncipe, que sempre negou os factos. Giuffre suicidou-se em abril, mas a sua obra trouxe novamente o caso para o debate público.
Alegações de Giuffre
Em ‘Nobody’s Girl’, Giuffre descreve três alegados episódios de abuso sexual envolvendo André quando ela tinha 17 anos, todos supostamente a mando de Epstein. Um dos encontros ocorreu na residência londrina de Ghislaine Maxwell, antiga associada de Epstein, que segundo Giuffre facilitou a apresentação ao príncipe. O livro menciona encontros em Londres, Nova Iorque e na ilha privada de Epstein, com André alegadamente convencido de que tinha direito de nascença a relações sexuais com ela.
Epstein, que se suicidou em 2019 enquanto aguardava julgamento por crimes sexuais, já tinha um historial de abusos contra menores. Maxwell foi considerada culpada de tráfico sexual em 2021 e condenada a 20 anos de prisão.
Negação do príncipe e entrevista desastrosa
Em 2019, André concedeu uma entrevista ao ‘Newsnight’ da ‘BBC’ na qual negou conhecer Giuffre e refutou as alegações de encontros sexuais. O príncipe afirmou não ter estado em Londres nos dias indicados por Giuffre e justificou detalhes de uma discoteca alegadamente incorretos devido a uma condição médica que o impedia de suar.
Apesar de ter fechado um acordo financeiro em 2022 para resolver processos nos Estados Unidos, a sua imagem continuou abalada. A entrevista contribuiu para a perda de funções públicas e de patrocínios.
Escândalos e questões financeiras
Nos últimos anos, surgiram novas polémicas ligadas a André. Em dezembro passado, foi divulgado que um associado comercial próximo do príncipe era considerado pelo Governo britânico como espião chinês, embora o indivíduo tenha negado as acusações. Recentemente, tornou-se público um e-mail de 2011 enviado a Epstein, semanas após alegar ter terminado contacto com o financeiro, no qual André escreveu: “Mantenham um contacto próximo e tocaremos mais em breve.”
Estas revelações reforçaram o afastamento do príncipe da vida pública e levantaram questões sobre a sua gestão financeira, depois de o rei Carlos ter cortado a sua mesada anual.
Estatuto real e residência
No início deste mês, André anunciou que deixaria de usar o título de Duque de York e outras honras, incluindo a filiação na Nobilíssima Ordem da Jarreteira. Também não participará mais nas reuniões anuais de Natal da família real em Sandringham.
Apesar disso, continua a ser príncipe e mantém o seu lugar na linha de sucessão ao trono. Vive na Royal Lodge, uma propriedade histórica da Crown Estate, com contrato de arrendamento válido até 2078. O título de Duque de York permanece suspenso, mas não foi oficialmente revogado.
Investigações e pedidos de expulsão
A polícia de Londres está a investigar alegações de que André solicitou a um dos seus agentes de proteção informações sobre Giuffre em 2011. Fontes do Palácio de Buckingham afirmam que os casos serão “examinados de forma apropriada”.
Existem também pedidos para que o príncipe seja expulso da Royal Lodge, devido a alegações de não pagamento de renda ao longo de duas décadas. As autoridades continuam a avaliar a situação enquanto o escrutínio público sobre André se mantém intenso.














