O reforço da presença militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico aumenta a preocupação internacional sobre um possível ataque contra o Irão. Embora não haja confirmação de um ataque iminente, analistas e diplomatas debatem os possíveis desfechos caso a intervenção se concretize. A União Europeia avisou que qualquer escalada poderia ter graves repercussões na estabilidade regional e apelou à contenção e à diplomacia, segundo comunicado do porta-voz da Comissão Europeia, Anouar El Anouni.
De acordo com a ‘BBC’, os especialistas identificaram sete cenários possíveis, com diferentes impactos para Teerão e para a região.
1. Ataques cirúrgicos e transição para a democracia
Neste cenário otimista, os EUA realizariam ataques limitados e de precisão contra bases do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e unidades paramilitares, assim como contra programas nucleares e de mísseis. O regime iraniano poderia ser derrubado, abrindo caminho para uma transição democrática e reintegração do país na comunidade internacional.
Historicamente, intervenções semelhantes no Iraque e na Líbia resultaram em anos de instabilidade, mas alguns apontam que a Síria de 2024, sem apoio ocidental, conseguiu uma transição relativamente estável.
2. O regime sobrevive, mas modera políticas
Conhecido como “modelo venezuelano”, implicaria que o regime permanece no poder, mas reduz o apoio a milícias regionais, limita programas nucleares e de mísseis e modera a repressão interna. Este cenário é considerado improvável, dado que a República Islâmica mantém-se resistente à mudança há 47 anos.
3. Colapso seguido de Governo militar
Muitos especialistas consideram esta a hipótese mais provável. Um ataque externo poderia enfraquecer ainda mais o regime, mas a presença de um Estado de segurança forte permitiria a instalação de um Governo militar, provavelmente liderado por figuras da Guarda Revolucionária Islâmica.
4. Retaliação iraniana contra forças americanas e países vizinhos
O Irão poderia recorrer ao seu arsenal de mísseis balísticos e drones contra bases e aliados dos EUA no Golfo, incluindo Bahrain, Qatar, Jordânia e Israel. A ameaça preocupa os países árabes da região, que receiam que qualquer ação dos EUA possa reverter-se contra si.
5. Minagem do Golfo Pérsico
O Irão dispõe de capacidade para instalar minas marítimas estratégicas, em particular no estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa do petróleo e gás natural liquefeito global. A minagem comprometeria o transporte marítimo, afetando os preços do petróleo e o comércio internacional.
6. Afundamento de um navio de guerra americano
O Irão poderia lançar ataques coordenados com drones e lanchas rápidas contra navios da Marinha dos EUA, explorando táticas de guerra assimétrica. Embora improvável, o afundamento de um navio, com captura de tripulantes, representaria uma humilhação significativa para Washington.
7. Colapso interno e caos generalizado
O pior cenário envolve guerra civil, tensões étnicas e fragmentação do país, à semelhança do que ocorreu na Síria, Iémen e Líbia. Curdos, balúchis e outras minorias poderiam intensificar conflitos armados, criando uma crise humanitária e migratória, com repercussões para todo o Médio Oriente.
Contexto diplomático e humanitário
A Comissão Europeia apelou à contenção e sublinhou que o direito internacional e a Carta das Nações Unidas devem ser respeitados. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, reiterou que as ameaças americanas prejudicam as negociações, enquanto Donald Trump não descartou um ataque militar, tendo enviado uma força naval para o Golfo.
A repressão interna no Irão tem sido severa: milhares de manifestantes morreram e mais de 41 mil pessoas foram detidas desde janeiro, de acordo com organizações de direitos humanos.














