A saúde mental de Donald Trump tornou-se um tema recorrente e cada vez mais explícito nas conversas entre diplomatas europeus, líderes das instituições da União Europeia e chefes de Governo que passam por Bruxelas. A inquietação intensificou-se nas últimas semanas, à medida que o presidente dos Estados Unidos voltou a assumir posições consideradas extremas no plano geopolítico, segundo o ‘El Mundo’.
Fontes diplomáticas citadas pelo jornal espanhol relatam que, nos bastidores da capital europeia, surgem com frequência referências ao estado psicológico de Trump, com comentários sobre alegados comportamentos erráticos e declarações consideradas descontroladas. As ambições expansionistas do presidente americano, incluindo a insistência na Gronelândia e ameaças implícitas de uso de força, são apontadas como sinais de que “ultrapassou os limites”, admitem fontes diplomáticas.
Declarações em reuniões de líderes europeus
De acordo com o jornal ‘POLITICO’, o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, terá manifestado preocupação com o “estado psicológico” de Trump junto de outros líderes europeus, chegando a classificá-lo como “perigoso”. Várias fontes diplomáticas confirmaram que este tema foi efetivamente abordado durante a reunião de líderes realizada na passada quinta-feira.
Segundo essas mesmas fontes, as dúvidas sobre a saúde mental do presidente americano agravaram-se após recentes intervenções públicas. Alguns discursos terão sido descritos como divagantes, desrespeitosos e ofensivos, com especial destaque para a participação de Trump no Fórum Económico Mundial de Davos, considerada por diplomatas como um exemplo de comportamento fora do padrão esperado.
O facto de ter sido Robert Fico a levantar a questão afasta, segundo fontes citadas pelo ‘El Mundo’, a interpretação de que se trate apenas de uma estratégia europeia para desvalorizar politicamente Trump. O primeiro-ministro eslovaco é visto em Bruxelas como um dos líderes europeus mais próximos do presidente americano, sendo descrito como um aliado.
Bruxelas prepara-se para mais tensão nos próximos anos
Apesar das dúvidas sobre a lucidez do presidente dos EUA, o consenso em Bruxelas é que a sua linha política não deverá sofrer alterações. Trump regressou à Casa Branca há apenas um ano e o ritmo das suas decisões tem sido considerado intenso, cenário que, segundo fontes diplomáticas, deverá manter-se durante o resto do mandato.
Na capital europeia, admite-se que episódios como os relacionados com a Venezuela e a Gronelândia não serão casos isolados. Diplomatas sublinham ainda a ausência de figuras na equipa presidencial capazes de contrariar ou moderar as decisões do presidente, reforçando a perceção de que Trump procura marcar a história como um dos presidentes mais influentes dos Estados Unidos.
Gronelândia no centro da incerteza
No caso concreto da Gronelândia, território autónomo integrado no Reino da Dinamarca, o desfecho permanece incerto. Não foi confirmada a hipótese de um modelo semelhante ao de Chipre, que implicaria a soberania americana sobre bases militares, embora esta possibilidade tenha ganho visibilidade após um encontro em Davos entre Trump e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.
A Dinamarca tem defendido uma abordagem baseada na diplomacia e na negociação, mas fontes europeias admitem que Trump não se contentará com soluções limitadas. Mark Rutte, por seu lado, tem reiterado que não considera o presidente dos EUA mentalmente instável, lembrando no Parlamento Europeu que a Europa continua fortemente dependente de Washington — uma posição que já começa a gerar desconforto em várias capitais europeias.














