Exército antecipa cheias e reforça proteção às populações com tecnologia de previsão e cartografia em tempo real

Com base em trabalho já desenvolvido no âmbito de exercícios operacionais, foram rapidamente disponibilizados produtos cartográficos e análises sobre as bacias hidrográficas inicialmente mais expostas, nomeadamente as do Tejo e do Vouga

Francisco Laranjeira
Fevereiro 16, 2026
12:14

Perante o agravamento das condições meteorológicas e o risco de cheias em várias regiões do país, o Exército reforçou o seu papel no apoio às populações, apostando na antecipação do risco como instrumento central de proteção e resposta. Através do Centro de Informação Geoespacial do Exército, foi ativada uma célula dedicada à produção e difusão contínua de informação crítica para apoiar o planeamento e a atuação no terreno.

A prioridade passou por garantir que as autoridades dispõem de dados fiáveis e atualizados que permitam agir antes do pico das cheias. Com base em trabalho já desenvolvido no âmbito de exercícios operacionais, foram rapidamente disponibilizados produtos cartográficos e análises sobre as bacias hidrográficas inicialmente mais expostas, nomeadamente as do Tejo e do Vouga.

À medida que as previsões meteorológicas indicaram risco acrescido noutras regiões, o esforço foi alargado às principais bacias hidrográficas do país, assegurando uma cobertura nacional de norte a sul. Esta antecipação permitiu projetar cenários de subida do nível da água, identificar zonas potencialmente inundáveis e apoiar decisões como o pré-posicionamento de meios, o reforço de patrulhamento em áreas críticas e a preparação de eventuais evacuações.

A produção de cartografia temática e de cenários prospetivos revelou-se determinante para apoiar autarquias, juntas de freguesia e agentes de proteção civil na gestão preventiva da crise. Ao disponibilizar esta informação em acesso público através do site oficial do Exército, foi possível descentralizar a utilização dos dados e reforçar a coordenação entre entidades, promovendo uma resposta mais célere e articulada.

Mesmo perante condições meteorológicas adversas, que limitaram a obtenção de imagens óticas, o Exército assegurou a continuidade da atualização da informação com o apoio da Força Aérea Portuguesa, recorrendo a imagens de radar. Esta capacidade garantiu monitorização eficaz das zonas afetadas, independentemente da nebulosidade.

Na componente preditiva, os dados técnicos fornecidos pela Agência Portuguesa do Ambiente, como caudais e alturas da água, foram analisados para sustentar modelos de previsão. No caso do rio Mondego, na zona de Coimbra, a análise de picos de cheia permitiu estimar diferentes cenários de subida da água, oferecendo às autoridades uma base técnica para decisões preventivas.

No terreno, esta capacidade traduziu-se num melhor balanceamento de esforços, quer nas operações de evacuação de populações em risco, quer nas ações de contenção e vigilância em áreas vulneráveis. A informação geoespacial produzida pelo Exército reforçou a consciência situacional, permitindo ajustar meios e prioridades em função da evolução do risco.

Ao centrar a sua atuação na antecipação e na partilha de informação estratégica, o Exército assume um papel decisivo no apoio à população em contexto de cheias, contribuindo para reduzir impactos, proteger vidas e garantir uma resposta coordenada entre todas as entidades envolvidas.

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