A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, tem insistido na necessidade de reabrir o debate sobre a implantação de armas nucleares na Europa. Segundo a Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, a agressão russa contra a Ucrânia e o assédio a países vizinhos, como a Estónia, alteraram o equilíbrio estratégico e colocam em causa a eficácia das regras de dissuasão atuais.
Kallas sublinhou que, embora mais armas nucleares não garantam um mundo mais seguro, a Europa não pode ignorar a realidade de não ser uma potência nuclear independente. “Precisamos de ter estas discussões e compreendemos de onde vêm. Decorrem do facto de a nossa aliança transatlântica já não ser o que era”, afirmou, referindo-se à redução da presença americana na Europa em favor do Indo-Pacífico.
A escalada da retórica europeia
O debate surge num contexto de reforço da defesa europeia. O comissário para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, anunciou que vai iniciar um “tour de mísseis” para discutir com Estados-Membros e a indústria formas de acelerar a entrega de armamento à Ucrânia e aos arsenais europeus. Kubilius apelou à União Europeia para que desperte como “gigante adormecido” em matéria de Defesa, reforçando a resposta à ameaça russa.
Fontes diplomáticas de alto nível alertam que a Rússia procura expandir-se e que a sua economia de guerra continuará mesmo após o fim do conflito atual, sugerindo que novas tensões podem surgir em países europeus.
Reunião da NATO em Bruxelas
O tema estará em análise na reunião dos ministros da Defesa da NATO, esta quinta-feira, em Bruxelas. Apesar da ausência do secretário americano da Defesa, Pete Hegseth, o subsecretário Elbridge Colby, arquiteto da nova estratégia de defesa dos EUA, marcará presença. A decisão de enviar Colby é vista por alguns como reflexo do declínio do compromisso dos EUA com a Aliança, enquanto outros consideram a escolha estratégica e lógica.
Kallas e Kubilius mantêm, porém, uma posição mais crítica em relação à presença norte-americana, sublinhando a necessidade de a Europa assumir maior responsabilidade na sua própria defesa. A discussão sobre armas nucleares volta assim ao centro do debate estratégico europeu, revelando a preocupação de Bruxelas perante a Rússia e a urgência de redefinir regras e capacidades de dissuasão.





