EUA testam novo míssil nuclear furtivo: LRSO é um desafio direto à superioridade russa e chinesa

Avanço surge num momento em que a Rússia e a China expandem rapidamente as suas próprias forças nucleares, aumentando a pressão sobre o equilíbrio estratégico global

Francisco Laranjeira
Novembro 6, 2025
15:07

Os Estados Unidos parecem ter dado um novo passo na modernização do seu arsenal nuclear com um míssil de cruzeiro de longo alcance (LRSO) — uma arma furtiva projetada para substituir o envelhecido míssil ALCM e reforçar a capacidade de dissuasão nuclear aérea do país. O avanço surge num momento em que a Rússia e a China expandem rapidamente as suas próprias forças nucleares, aumentando a pressão sobre o equilíbrio estratégico global.

De acordo com a ‘Newsweek’, uma imagem captada a 29 de outubro no Vale de Owens, na Califórnia, mostra um bombardeiro B-52H a transportar duas armas não identificadas, muito semelhantes à representação oficial do novo LRSO divulgada pela Força Aérea dos EUA em junho. Trata-se de um míssil de cruzeiro nuclear furtivo, desenvolvido para penetrar em espaços aéreos fortemente defendidos, escapando a radares inimigos e mantendo uma elevada capacidade de sobrevivência.

Um salto tecnológico na tríade nuclear americana

O LRSO — Long Range Standoff Weapon — é parte essencial do programa de modernização da tríade nuclear dos EUA, composta por mísseis balísticos intercontinentais, mísseis lançados por submarinos e bombardeiros de longo alcance. A nova arma deverá substituir o AGM-86 ALCM, em operação desde 1982 e com um alcance superior a 2.400 quilómetros. O B-52H, atualmente o único avião capaz de transportar este tipo de míssil, poderá carregar até 20 unidades.

A Força Aérea americana planeia adquirir 1.087 mísseis LRSO para equipar tanto os B-52H como os novos B-21 Raider, com um custo estimado de 14 milhões de dólares por unidade, segundo o Government Accountability Office (GAO). A arma deverá atingir a capacidade operacional inicial em 2030, após completar com sucesso nove testes de voo que cumpriram todos os objetivos previstos.

O Centro de Armas Nucleares da Força Aérea afirmou que o novo míssil oferecerá “alcance e capacidade de penetração em espaço aéreo altamente protegido”, respondendo aos desafios operacionais que o ALCM enfrenta face a sistemas de defesa cada vez mais avançados.

Rivalidade estratégica com Rússia e China

O desenvolvimento do LRSO ocorre num contexto de reescalada da competição nuclear global. Moscovo tem testado o Burevestnik, um míssil de cruzeiro de propulsão nuclear com alegada capacidade de contornar defesas antimísseis e transportar ogivas nucleares. Já Pequim expande o seu arsenal intercontinental e reforça o poder da sua frota de submarinos estratégicos.

Segundo a ‘Newsweek’, especialistas consideram que o LRSO visa garantir que os EUA mantêm uma vantagem tecnológica decisiva, oferecendo uma opção de ataque flexível e credível em cenários regionais. O Projeto de Informação Nuclear da Federação de Cientistas Americanos sublinha que estes mísseis permitem aos bombardeiros “atingir alvos bem além do alcance dos sistemas de defesa aérea atuais e futuros”.

Uma arma para as próximas décadas

O contrato para o desenvolvimento do LRSO foi atribuído em 2020 à Raytheon, atualmente parte da RTX Corporation, após uma disputa com a Lockheed Martin. A empresa deverá garantir a produção e integração do míssil nos bombardeiros estratégicos americanos ao longo das próximas décadas.

Quando totalmente operacional, o LRSO consolidará o segmento aéreo da tríade nuclear americana e reforçará a dissuasão estratégica de Washington num cenário global de crescente tensão. O Pentágono acredita que esta nova geração de armas nucleares furtivas redefinirá o equilíbrio de poder entre as potências nucleares, marcando o início de uma nova fase na corrida pela supremacia tecnológica.

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