A vantagem do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, sobre Donald Trump aumentou para um recorde de 17 pontos, numa altura em que a corrida entra numa fase final, segundo uma sondagem da Opinium Research para o ‘The Guardian’.
Segundo a sondagem, cerca de 57% dos prováveis eleitores pretendem votar em Biden, enquanto que apenas 40% dizem que vão votar no atual presidente, Trump. A diferença de 17 pontos é ainda maior do que a margem 57% contra 41% (16 pontos) que a CNN avançou no início deste mês, tal como a ‘Executive Digest’ noticiou.
Faltando apenas três semanas para o dia da eleição e depois de milhões de votos já serem expressamente conhecidos, alguns republicanos temem uma derrota na disputa pela presidência, Senado e Câmara dos Deputados. Ed Rollins, assessor de um super comité de ação política a favor de Trump, disse ao New York Times: «O ambiente político é terrível. É uma batalha difícil».
As descobertas da Opinium sugerem que a morte da juíza do Supremo Tribunal, Ruth Bader Ginsburg, o desempenho desastroso de Trump no debate e um surto de coronavírus na Casa Branca que infetou o próprio presidente, balançou o pêndulo decisivamente a favor dos democratas.
Biden ganhou cinco pontos percentuais entre os eleitores indecisos desde setembro. Os democratas também deram impulso aos apoiantes existentes, com os eleitores de Biden agora a aumentar, passando de 75% em setembro para 82% este mês de Outubro.
O ex-vice-presidente agora lidera os setores de saúde, relações raciais, empregos e até economia (45% a 43%), geralmente vistos como a assinatura de Trump. A reputação do atual presidente como empresário de sucesso foi afetada por uma investigação do New York Times sobre os seus assuntos tributários.
A pesquisa também expõe algumas diferenças importantes em relação à eleição de 2016, quando Trump derrotou Hillary Clinton. O presidente tem novamente um índice de aprovação negativo de -11%, com dois em cada cinco (42%) a desaprovar fortemente a forma como está a lidar com a presidência. Contudo, agora Biden tem um forte índice de aprovação positivo de + 18%, com mais de metade (52%) dos eleitores a aprovar a forma como conduziu a campanha.
A Opinium contou com a participação de 2.003 adultos norte-americanos com 18 anos ou mais, no período compreendido entre 8 a 12 de outubro. O inquérito foi feito online teve em consideração o nível de educação e os votos anteriores nas eleições recentes.
Quase dois em cada três (62%) dos ex-eleitores de Trump (que votaram nele em 2016, mas não o farão este ano) afirmam que a sua forma de lidar com a pandemia do coronavírus é a razão pela qual mudaram de voto. Para além disso, quase metade (47%) dos ex-eleitores de Trump dizem que a sua personalidade e comportamento contribuíram para a mudança.
Os democratas dizem que uma vitória massiva é a forma mais segura de evitar longas disputas legais que podem até resultar em violência nas ruas. Trump passou meses a tentar minar a credibilidade da eleição em geral e da votação por correio em particular.
A Opinium descobriu que a liderança de Biden depende do sucesso da votação por correio, que provavelmente vai registar níveis recordes durante a pandemia. Cerca de 55% dos eleitores presenciais pretendem votar em Trump, enquanto 42% pretendem votar em Biden. Mas quando se trata de eleitores por correio, 75% pretendem votar em Biden e apenas 22% pretendem votar em Trump.
Como resultado, a América pode testemunhar a chamada «miragem vermelha» em que Trump parece estar á frente com base na contagem inicial de votos presenciais, apenas para ser ultrapassado pela votação de Biden por correio horas ou dias depois. Apenas 30% dos eleitores esperam saber quem é o vencedor na noite da eleição.
Há temores de que Trump use esse tempo para espalhar teorias da conspiração e declarar vitória. Metade (50%) dos eleitores temem que, se o presidente perder a eleição, não a vá conceder ao seu rival. Há uma divisão partidária: dois terços (66%) dos eleitores de Trump estão preocupados que a eleição seja defraudada.














