Estes são os sete “pesadelos” que o novo CEO da Amazon terá de enfrentar no mercado europeu

Andy Jassy assumiu no dia 5 de julho o comando da empresa, sucedendo assim a Jeff Bezos, que ocupou o lugar de CEO durante 27 anos. Estes são os sete problemas que o novo líder do gigante digital vai ter de resolver no mercado europeu.

Fábio Carvalho da Silva
Julho 7, 2021
8:05

Andy Jassy, antigo responsável pelo departamento de Web Services da Amazon, assumiu no dia 5 de julho o comando da empresa, sucedendo assim a Jeff Bezos, que ocupou o lugar de CEO durante 27 anos. Estes são os sete problemas que o novo líder do gigante digital vai ter de resolver no mercado europeu:

Uma luta com duas frentes: Contra Bruxelas e contra os Governos nacionais 

Andy Jassy enfrenta uma guerra de duas frentes, uma com Bruxelas e outra contra os Governos nacionais. Por um lado, o novo CEO da Amazon terá de combater as acusações de Margrethe Vestager comissária europeia para a Concorrência, para quem a gigante digital utiliza “dados de terceiros para impulsionar as suas próprias ofertas, para além de não obedecer a outras regras de mercado, no que toca à relação com outros players”.

Por outro lado, Jassy terá de lidar com a ira dos Governos da Alemanha, Espanha e Reino Unido. Tanto Berlim, como Madrid estão a investigar a influência da Amazon nos preços praticados sobre produtos vendidos por terceiros na sua plataforma, assim como um alegado acordo com Apple, que segundo os dois Executivos nacionais permitiria “a expulsão de revendedores não autorizados” de produtos da marca fundada por Steve Jobs.

No Reino Unido, o cerco regulatório sobre a Amazon também está a apertar, tendo entrado em vigor em janeiro, uma nova norma que rege as políticas de concorrência entre os gigantes digitais.

O novo CEO da Amazon vai ter de “limpar a casa”

Os legisladores e reguladores europeus prometeram combater a venda de produtos ilegais e perigosos nas plataformas de e-commerce, como é o caso da Amazon.

A legislação que está em cima da mesa de Bruxelas obriga estas empresas a verificar a entidade dos vendedores registados nos seus sites, assim como prevenir, em larga escala, a falsa descrição de produtos. O não cumprimento pode ter como consequências multas pesadas, calculadas tendo por base a margem de lucro de cada empresa.

No Reino Unido, o regulador para a proteção do consumidor está a investigar, em resposta a centenas de queixas recebidas, se a Amazon fez “tudo o que estava ao seu alcance para combater as vendas fraudulentas”.

Proteção de dados: Um pesadelo para a Amazon 

A Amazon não pode escapar ao Regulamento Geral da Proteção de Dados.

Uma investigação conduzida pelo site noticioso norte-americano POLITICO concluiu que as más práticas de gestão da equipa de Jeff Bezos, podem ter exposto, ilegalmente, milhões de dados pessoais de utilizadores da Amazon. Bruxelas já iniciou uma investigação sobre transferência de informações pessoais de cidadãos europeus para os EUA.

Além disso, tanto Bruxelas, como Paris e Berlim estão a ponderar limitar o poder dos gigantes digitais que trabalham com a cloud, de forma a proteger os dados pessoais dos seus cidadãos.

Jassy vai ter de ser “esperto” se não quer ficar a perder com nova diretiva sobre Inteligência Artificial

A Inteligência artificial é o ingrediente secreto da Amazon, se bem que nem sempre resulte. A imprensa internacional tem avançado com vários despedimentos de motoristas da empresa, resultado de um cálculo erróneo de um serviço autónomo. A UE quer mudar esta situação.

Para tal, em abril, a Comissão Europeia propôs a primeira norma do mundo que pretende restringir a utilização da inteligência artificial. As novas regras podem obrigar as empresas a serem mais transparente sobre como aplicam a tecnologia à gestão de recursos humanos, entre outras áreas.

De acordo com a nova norma, o uso da IA na gestão de trabalhadores será classificado como uma tarefa de “alto risco”, pelo que terá de passar por uma triagem mais rigorosa antes de entrar no mercado europeu.

Um imposto mínimo global que a Amazon também terá de pagar

Na semana passada, 130 Estados e jurisdições autónomas concordaram em aplicar uma taxa mínima de 15% às grandes multinacionais, de forma a evitar a fuga fiscal destas empresas, para países com cenário tributário mais favorável.

Jassy terá de zelar pelos direitos dos trabalhadores

Nos últimos tempos, os trabalhadores  da empresa de Jeff Bezos têm reclamado da falta de condições, através de exemplos alarmantes como a obrigatoriedade de ficar em pé durante várias horas ao mesmo tempo que embalam caixas a um ritmo alucinante. Os próprios motoristas da Amazon alegam que são obrigados a urinar em garrafas de plástico de forma a cumprirem os prazos das entregas.

Em abril, a Comissão de Trabalhadores da Amazon foi derrotada pelo coletivo de funcionários da empresa, que não permitiram a filiação da primeira num dos principais sindicados do comércio por atacado dos EUA, numa votação que contou com 1.798 votos contra e 738 a favor.

O CEO da Amazon terá de aprender a combater o desperdício

A Amazon é cofundadora do Climate Pledge, um compromisso que reúne mais de 100 empresas e organizações, de forma a mitigar as emissões de carbono. No entanto, uma investigação da televisão britânica ITV noticiou que a gigante das entregas destruía milhões de encomendas, que acabavam por não chegar ao destino, ou eram devolvidas, sem qualquer tipo de cuidado ecológico.

A notícia fez soar o alarme da Agência Escocesa de Proteção Ambiental que imediatamente iniciou uma investigação sobre as práticas da empresa. Na altura o Departamento para o Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) chegou mesmo a emitir um comunicado direcionado às empresa, onde lembrou que “o não cumprimento das tarefas, legalmente impostas, de gestão de resíduos podem levar a uma ação em tribunal proposta pelo Estado”.

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