Emprego bate recordes, mas produtividade entra em queda. “O mercado de trabalho enfrenta um desafio de eficiência”, revela a Randstad

No mercado de trabalho português, as empresas a apostarem cada vez mais na retenção de talento através de contratos sem termo, mas este dinamismo foi acompanhado por uma queda da produtividade do trabalho.

André Manuel Mendes
Fevereiro 5, 2026
9:50

O mercado de trabalho português voltou a bater recordes no final de 2025, com as empresas a apostarem cada vez mais na retenção de talento através de contratos sem termo. No entanto, este dinamismo no emprego foi acompanhado por uma queda da produtividade do trabalho, a primeira em quatro anos.

De acordo com a análise trimestral da Randstad Portugal ao mercado laboral, relativa ao quarto trimestre de 2025, o número de contratos sem termo aumentou em 192.100 face ao período homólogo, o que representa um crescimento de 5%. Os dados da Randstad Research, com base em estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que as empresas continuam a privilegiar a estabilidade contratual num contexto de escassez de talento.

A população empregada fixou-se em 5,34 milhões de pessoas, mais 190.700 trabalhadores do que em 2024, o equivalente a um crescimento de 3,7%. Já a taxa de desemprego manteve-se estável nos 5,8%, menos 0,9 pontos percentuais em termos homólogos.

Apesar dos indicadores positivos no emprego, a produtividade do trabalho registou uma variação negativa de 1,3%, algo que não acontecia desde 2021. A Randstad explica este recuo pelo facto de o crescimento do emprego (3,2%) ter superado o do Produto Interno Bruto (PIB), que avançou 1,9%, resultando numa menor criação de riqueza por trabalhador.

O aumento do emprego no último trimestre do ano foi impulsionado sobretudo pelo setor dos serviços, que criou mais 31.700 postos de trabalho (+0,8%), compensando as perdas registadas na indústria e na agricultura.

O teletrabalho voltou também a ganhar expressão no final de 2025. O número de profissionais a trabalhar em regime remoto ou híbrido aumentou em 93.000 pessoas face ao trimestre anterior, uma subida de 9%. Atualmente, esta modalidade abrange 21,2% do total de empregados em Portugal, o que corresponde a cerca de 1,13 milhões de pessoas, com a Grande Lisboa a liderar, apresentando uma taxa de 33,3%.

A análise demográfica revela, contudo, sinais de fragilidade entre os mais jovens. O grupo etário dos 16 aos 24 anos foi o único a registar uma quebra do emprego no trimestre, com menos 22.700 jovens empregados, uma descida de 7%, em contraste com o crescimento observado nas faixas etárias entre os 25 e os 54 anos.

“Os dados do final de 2025 mostram-nos um mercado de trabalho que, embora robusto em volume, enfrenta um desafio de eficiência. O aumento dos contratos sem termo demonstra que as empresas estão, de facto, a esforçar-se por reter talento num cenário de escassez,” afirma Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal. “Contudo, a queda na produtividade é um sinal de alerta. Para 2026, a prioridade das organizações não pode ser apenas contratar, mas sim investir na aceleração tecnológica e no upskilling das equipas. Só combinando talento qualificado com inovação conseguiremos transformar estes recordes de emprego em crescimento económico real e sustentável”

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