Portugal pode dominar a indústria verde na Europa e gerar 9,6 mil milhões de euros para a economia, revela estudo da NOVA SBE

Portugal reúne condições para se posicionar como um dos principais líderes europeus na produção industrial sustentável, mas terá de demonstrar, de forma rigorosa e credível, que os seus processos produtivos cumprem critérios ambientais exigentes.

André Manuel Mendes
Fevereiro 5, 2026
11:08

Portugal reúne condições para se posicionar como um dos principais líderes europeus na produção industrial sustentável, mas terá de demonstrar, de forma rigorosa e credível, que os seus processos produtivos cumprem critérios ambientais exigentes.

A conclusão é de um estudo da NOVA School of Business and Economics (NOVA SBE), divulgado esta terça-feira, que destaca a certificação ambiental como um fator decisivo para a competitividade da indústria nacional.

Intitulado “Oportunidade Industrial Verde em Portugal”, o estudo aponta que a adoção de sistemas de certificação ambiental em setores-chave da indústria portuguesa poderá ter um impacto potencial de 0,8% no Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a cerca de 9,6 mil milhões de euros, e de aproximadamente 1% no emprego, o que corresponde à criação de cerca de 49 mil postos de trabalho.

Num contexto internacional marcado pela fragmentação dos mercados, pelo reforço da regulação ambiental e por uma crescente exigência de sustentabilidade por parte de consumidores e grandes retalhistas, os investigadores defendem que Portugal pode transformar o investimento na transição energética numa vantagem competitiva clara. A matriz energética renovável, a localização geográfica e uma base industrial fortemente orientada para a exportação são identificadas como ativos estratégicos.

O estudo sublinha ainda a relevância desta oportunidade para setores considerados hard to abate, como a siderurgia ou a indústria do vidro, onde a descarbonização dos processos produtivos é mais complexa. Nestes casos, alertam os autores, a ausência de reconhecimento por parte do consumidor final pode fazer com que a transição energética seja percecionada apenas como um custo adicional.

A investigação, liderada por João Duarte, professor associado da NOVA SBE, analisou também o comportamento dos consumidores perante produtos certificados como sustentáveis. A análise a cerca de 45 mil produtos com o selo Climate Pledge Friendly, da Amazon, revelou um aumento médio de 13% nas vendas brutas nas 12 semanas seguintes à atribuição da certificação. Já no caso do IKEA, os produtos com declarações explícitas sobre a utilização de materiais reciclados apresentaram uma valorização média de 33,4% face a produtos semelhantes sem essa informação.

Os dados confirmam, segundo os autores, que os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis, desde que a informação seja credível e verificável. “A competitividade futura da indústria portuguesa dependerá da sua capacidade de provar, com rigor, que produz de forma sustentável. A certificação é o elemento diferenciador que permite captar valor, ganhar novos mercados e contribuir para o crescimento do país”, afirma João Duarte.

Para Thomas Carrier, CEO da REGA ENERGY – empresa de energias renováveis que está a investir em Portugal, e que apoiou a realização do estudo – “Portugal tem vantagens competitivas claras, pela sua base industrial, pela forte dimensão da energia renovável, e pela existência de talento e de uma cultura internacional, para se afirmar como líder europeu na produção industrial sustentável, transformando a transição climática numa fonte de competitividade que torne o Made in Portugal em sinónimo de Made Sustainable”.

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