Drahi aumenta preço da OPA sobre a Altice em 30%

Patrick Drahi, fundador e presidente do grupo Altice Europe, vai subir o preço da oferta pública de aquisição (OPA) sobre a empresa em cerca de 30%, passando dos iniciais 4,11 euros por ação, para os 5,35 euros.

Simone Silva

Patrick Drahi, fundador e presidente do grupo Altice Europe, vai subir o preço da oferta pública de aquisição (OPA) sobre a empresa em cerca de 30%, passando dos iniciais 4,11 euros por ação, para os 5,35 euros, de acordo com um comunicado divulgado esta quarta-feira.

A mesma nota revela que este aumento de 30% da OPA face à primeira proposta apresentada, faz com que a avaliação do grupo de telecomunicações se fixe em cerca de 6,77 mil milhões de euros, uma alteração que, segundo Drahi,  já recebeu aprovação por parte de vários acionistas.

Nomes institucionais que juntos detém 9,1% do capital da Altice, como é o caso de Lucerne, Diameter, Boussard & Gavaudan, Elliott, Winterbrook, LB Partners, SessA e Sheffield, já assumiram o compromisso de vender as ações na OPA ao preço agora decidido pelo empresário.

O objetivo é que o atual fundador consiga obter 100% do capital do grupo, atualmente tem apenas 78%, retirando-o assim da bolsa. Para que tal aconteça é necessário que Drahi gaste cerca de 3,2 mil milhões de euros, uma subida comparativamente aos iniciais 2,5 mil milhões.

De recordar que o responsável anunciou em Setembro a intenção de comprar a participação dos restantes accionistas da Altice Europe, contudo, e apesar de agora Drahi ter referido que os restantes acionistas concordaram com a venda, na semana passada o Financial Times avançou que nem todos estavam contentes com esta possibilidade.

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É o caso do Winterbrook Capital, fundo britânico que avançou, a 7 de dezembro, com um processo legal nos Estados Unidos da América no sentido de forçar a divulgação dos documentos sobre o negócio – que resultaria na privatização total de todas as empresas de telecomunicações que a Altice detém em Portugal, França e Israel.

Segundo o Financial Times os fundos de investimento associados à Altice não aceitam o negócio. A mesma publicação refere que estes fundos, incluindo o Winterbrook, acusam Patrick Drahi de tirar partido de um declínio temporário do valor das empresas de telecomunicações europeias na sequência da pandemia de COVID-19, às custas dos investidores minoritários.

O Winterbrook considera que esta operação desvaloriza drasticamente o valor real de activos como a SFR, empresa francesa de telecomunicações.

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A Altice, por seu turno, garante que os objectivos são outros: “Existe um racional claro para a transacção, que irá permitir à companhia focar-se na sua estratégia a longo prazo… A transacção valoriza a Altice Europe acima dos seus pares na indústria das telecomunicações”, indica a empresa numa nota ao jornal norte-americano.

 

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