Trump admite sair da NATO: o que está em causa?

A NATO pode estar a enfrentar a sua maior crise em décadas. Donald Trump revelou que está a considerar retirar os Estados Unidos da aliança, acusando os parceiros europeus de falharem num momento-chave da política internacional.

Patrícia Moura Pinto

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar a considerar seriamente a saída do país da NATO, numa altura de crescente tensão entre Washington e os seus aliados europeus. A declaração foi feita numa entrevista ao Telegraph, onde criticou duramente a postura da aliança no atual conflito com o Irão.

Trump classificou a NATO como um “tigre de papel”, sublinhando que nunca confiou verdadeiramente na eficácia da organização. O chefe de Estado norte-americano revelou ainda que a eventual saída dos Estados Unidos da aliança já não é uma hipótese remota, mas sim uma possibilidade concreta.

Frustração com aliados europeus

A posição de Trump surge após a recusa de vários países europeus em apoiar diretamente os Estados Unidos na reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas mundiais. O bloqueio do estreito pelo Irão teve impacto significativo nos mercados globais, colocando pressão sobre os preços do petróleo e aumentando o risco de recessão.

De acordo com o Telegraph, o Presidente norte-americano mostrou-se particularmente crítico em relação ao Reino Unido. Trump questionou a capacidade militar britânica e criticou o primeiro-ministro Keir Starmer por não se envolver no conflito, referindo-se à marinha britânica como ultrapassada.

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O líder norte-americano também acusou os aliados de não corresponderem ao apoio que os Estados Unidos têm prestado ao longo dos anos, incluindo no conflito na Ucrânia, que descreveu como um teste à solidariedade internacional.

NATO em risco de transformação

As declarações de Trump surgem num contexto de debate interno na administração norte-americana sobre o futuro da NATO. Segundo o Telegraph, membros do governo defendem uma reformulação da aliança, incluindo um modelo de “pagamento por influência”, que poderia limitar o poder de decisão dos países que não cumpram determinados critérios financeiros.

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O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou esta posição ao afirmar que a relação com a NATO poderá ter de ser reavaliada após o fim do conflito com o Irão. O responsável criticou o que considera ser uma relação desequilibrada, em que os Estados Unidos assumem o principal papel de defesa sem obter contrapartidas equivalentes.

Artigo 5 em debate

A situação atual também reacendeu a discussão sobre o Artigo 5 da NATO, que estabelece o princípio de defesa coletiva. Esta cláusula foi invocada apenas uma vez, após os ataques de 11 de setembro de 2001, e não se aplica diretamente ao conflito com o Irão, uma vez que não envolve um ataque a um Estado-membro da aliança.

Ainda assim, a exigência de Trump de apoio automático dos aliados levantou dúvidas sobre a interpretação e aplicação futura deste compromisso.

Primeiro-ministro britânico já reagiu aos comentários de Trump

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Segundo a Reuters, O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que agiria no interesse do país, independentemente do “ruído”, ao ser questionado sobre a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que estaria a considerar seriamente a saída dos Estados Unidos da OTAN. “Independentemente da pressão sobre mim e sobre os outros, independentemente do ruído, agirei no interesse nacional britânico nas decisões que tomar”, disse Starmer.

Conflito com o Irão pode durar semanas

O Presidente norte-americano indicou que a guerra com o Irão poderá prolongar-se por mais duas a três semanas, garantindo que o principal objetivo dos Estados Unidos é impedir o país de desenvolver armas nucleares.

Trump deverá dirigir-se à nação nas próximas horas para atualizar a situação do conflito, num momento em que as relações transatlânticas atravessam uma das fases mais tensas das últimas décadas.

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