Os diretores escolares das zonas mais afetadas pela passagem da depressão Kristin colocaram a segurança dos alunos, professores e funcionários como prioridade absoluta, mesmo quando isso implicou o encerramento temporário de escolas e a suspensão das atividades letivas. A garantia é deixada por Filinto Lima, presidente da direção da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), em entrevista exclusiva à Executive Digest, na qual sublinha que as decisões foram tomadas em estreita articulação com a Proteção Civil e com as autarquias.
“A preocupação que neste ponto reside nas escolas e nos diretores das escolas é a segurança, portanto, dos nossos alunos e dos nossos professores e dos funcionários. Essa é a grande preocupação”, afirmou Filinto Lima, explicando que os diretores não hesitaram em encerrar estabelecimentos sempre que se verificaram riscos associados ao mau tempo, falhas de energia ou danos nas infraestruturas.
Encerramentos decididos em articulação com a Proteção Civil
Segundo o responsável da ANDAEP, o encerramento ou não das escolas não foi decidido de forma isolada. “Em consonância com a Proteção Civil local, as escolas fecham ou não fecham”, explicou, sublinhando que cada decisão teve em conta as condições concretas no terreno, desde a queda de árvores à instabilidade de estruturas, passando pela ausência de eletricidade ou dificuldades de acesso.
Apesar das preocupações manifestadas por encarregados de educação quanto ao impacto no calendário escolar, Filinto Lima desvalorizou eventuais prejuízos imediatos nas aprendizagens. “É um dia, dois dias, não haverá grandes prejuízos nas aprendizagens, isso não haverá”, assegurou, reiterando que “o nosso grande foco é, na verdade, a segurança dos nossos alunos”.
Nesse sentido, foi claro ao afirmar que, quando necessário, “o diretor decide, em consultância com a Proteção Civil, encerrar a escola ou nem sequer abrir”, recusando qualquer pressão para manter atividades letivas em contextos de risco.
Diretores acompanham situação, mas obras são responsabilidade das autarquias
Questionado sobre eventuais necessidades urgentes ou pedidos de apoio por parte das escolas afetadas, o presidente da ANDAEP esclareceu que a gestão das intervenções no edificado não compete às direções escolares. “Não têm chegado [apelos], porque os diretores de obras têm a situação com a autarquia local. Eles é que são os responsáveis pelas obras nos edifícios”, afirmou.
Segundo Filinto Lima, o procedimento é claro: “A situação é resolvida entre a escola, que comunica à autarquia os eventuais prejuízos que teve no edificado”, cabendo depois aos municípios assegurar as reparações necessárias. O dirigente associativo mostrou-se confiante de que “a autarquia, com certeza, fará a respetiva reparação”.
Esta articulação foi particularmente relevante num contexto em que dezenas de municípios decidiram encerrar escolas de forma preventiva ou reativa, após uma noite marcada por vento forte, chuva intensa, queda de neve em algumas regiões e falhas prolongadas no fornecimento de energia elétrica, afetando sobretudo o Centro do país, mas também zonas do Norte e do Interior.
Segurança sobrepõe-se ao calendário letivo
A posição dos diretores, segundo Filinto Lima, é consensual: perante fenómenos meteorológicos extremos, não há margem para hesitações. “Nesse aspeto, não podemos facilitar”, frisou, reforçando que a salvaguarda da comunidade escolar se sobrepõe a qualquer preocupação com o cumprimento formal do calendário.
O encerramento de escolas teve também um efeito colateral considerado positivo pelos autarcas: a redução significativa da circulação nas ruas e estradas já fragilizadas pelo temporal, contribuindo para a proteção das populações e para facilitar a intervenção dos meios de emergência.
Concurso extraordinário de professores vai “diminuir constrangimento” da falta de docentes
No final da entrevista à Executive Digest, Filinto Lima foi ainda questionado sobre o concurso extraordinário de colocação de professores, tema que abordou de forma separada da situação provocada pela tempestade. O dirigente considerou positiva a existência do concurso, sublinhando que “os professores que efetivaram a partir de agora são professores dos quadros”, o que ajudará a “diminuir o constrangimento que vai demorar algum tempo a desaparecer, que é a escassez de professores”.
Ainda assim, deixou claro que esta medida não resolve o problema estrutural. “A grande solução é uma solução contínua: é valorizar e dignificar a carreira docente”, defendeu, apelando a um maior investimento na Educação e alertando para o elevado número de professores que continuam a sair mensalmente para a aposentação.













