O Departamento de Estado norte-americano anunciou esta terça-feira a revogação de pelo menos seis vistos concedidos a cidadãos estrangeiros que, através das redes sociais, celebraram o assassínio do ativista conservador Charlie Kirk. A decisão, que visa indivíduos oriundos da Argentina, África do Sul, México, Brasil, Alemanha e Paraguai, foi tornada pública numa mensagem publicada na rede X (antigo Twitter).
Na publicação, o Departamento de Estado sublinha que “os Estados Unidos não têm obrigação de acolher estrangeiros que desejam a morte de norte-americanos”, acrescentando que continuará a identificar titulares de visto que tenham celebrado “o hediondo assassínio de Charlie Kirk”.
O Governo não revelou a identidade dos visados nem o tipo de vistos que foram cancelados, mas a medida surge na sequência das declarações do secretário de Estado Marco Rubio, que já tinha advertido que os estrangeiros com visto que elogiassem a morte de Kirk deviam “preparar-se para ser deportados”.
No dia seguinte ao tiroteio, ocorrido durante um debate universitário no estado de Utah, o vice-secretário de estado, Christopher Landau, havia ordenado às autoridades consulares que monitorizassem as redes sociais de forma a identificar autores de publicações de celebração da morte de Charlie Kirk.
A decisão rapidamente gerou críticas de juristas e defensores da liberdade de expressão. O advogado de imigração Eric Lee, cofundador do Consular Accountability Project, anunciou nas redes sociais que a organização disponibilizará assistência jurídica gratuita a qualquer pessoa afetada por decisões de recusa ou revogação de vistos relacionadas com “comentários sobre Charlie Kirk”.
Lee, que já representou estudantes e ativistas estrangeiros em casos semelhantes, lembrou que tem contestado em tribunal restrições impostas pela administração Trump a manifestantes pró-palestinianos em universidades norte-americanas.
A reação política também não tardou. David Axelrod, antigo conselheiro do presidente Barack Obama, criticou a medida numa publicação na rede X: “Os EUA revogam vistos de seis estrangeiros por comentários depreciativos sobre Charlie Kirk – que, ironicamente, era um autoproclamado defensor da liberdade de expressão.”
Charlie Kirk era uma das figuras mais conhecidas do movimento conservador norte-americano. Fundador da Turning Point USA (TPUSA), organização dedicada a mobilizar jovens eleitores em torno de causas de direita, o ativista tornou-se uma presença frequente em debates ideológicos nas universidades e uma voz influente nas redes sociais. Próximo do presidente Donald Trump, do vice-presidente JD Vance e de outros líderes republicanos, Kirk desempenhou um papel central na estratégia de reeleição de Trump, sobretudo na aproximação ao eleitorado jovem.
O assassínio de Kirk, ocorrido em setembro, durante um evento da TPUSA na Universidade do Vale do Utah, reacendeu o debate nacional sobre a violência política e os limites da liberdade de expressão.
A decisão do Departamento de Estado foi anunciada pouco depois de o presidente Donald Trump ter atribuído postumamente a Kirk a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração civil dos Estados Unidos, numa cerimónia que coincidiu com o dia em que o ativista completaria 32 anos.














