Dengue ameaça Jogos Olímpicos de Paris: autoridades francesas criam ‘detetives de mosquitos’ para travar surtos

Atualmente, e a quase dois meses antes do início dos Jogos Olímpicos, França prepara-se para prevenir um surto de dengue antes da chegada de mais de 15 milhões de visitantes

Francisco Laranjeira
Junho 6, 2024
12:26

“A incidência global da dengue aumentou perigosamente nas últimas duas décadas, o que representa um desafio muito importante para a saúde pública global”. Este foi o alerta de Raman Velayudhan, chefe da Unidade de Saúde Pública Veterinária, Controlo de Vetores e Meio Ambiente do Programa Global de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS, em fevereiro último.

Atualmente, e a quase dois meses antes do início dos Jogos Olímpicos, França prepara-se para prevenir um surto de dengue antes da chegada de mais de 15 milhões de visitantes.

A dengue é atualmente a doença emergente com maior potencial de risco em todo o mundo: de acordo com a OMS, metade da população mundial está exposta a contraí-la e atualmente não existe tratamento conhecido. Uma percentagem que aumenta silenciosamente à velocidade da luz, principalmente devido à globalização e o aquecimento global – que expande cada vez mais as áreas onde os mosquitos transmissores, Aedes aegypti e Aedes albopictus, podem viver.

A capital francesa sabe sobre pragas: depois de, no último trimestre de 2023, os percevejos terem tomado conta dos hotéis e locais públicos parisienses, como o metro – um fenómeno que trouxe consequências económicas nos bolsos franceses -, agora é o dengue quando Paris está em plena preparação para os Jogos Olímpicos este verão.

A doença transmitida por mosquitos tem aumentado na França há vários meses devido às temperaturas mais altas. Por esta razão, colocou à prova os seus ‘detetives de mosquitos’, cuja missão é localizar surtos de doenças, procurar ovos de mosquitos e ajudar a impedir a propagação do vírus nas cidades francesas.

“É verdade que os Jogos Olímpicos são um momento crítico”, salienta Cécile Somarriba, diretora de vigilância de saúde e segurança da Agência Regional de Saúde (ARS) da Grande Paris, ao ‘The Telegraph’ e ‘Fortune’. “Estamos a priorizar a nossa vigilância em locais que abrigarão grandes aglomerações. É aqui que o risco de transmissão é maior.”

De acordo com a publicação, a ARS lançou uma campanha para monitorizar o número de mosquitos em Paris e nos subúrbios circundantes, através da implantação de 526 armadilhas de nidificação que serão enviadas para análise todos os meses.

Os ‘detetives’ estão a reprimir o ‘Aedes albopictus’, também conhecido como mosquito tigre asiático, que prospera nas condições que cidades como Paris oferecem no verão: uma mistura de clima quente e húmido, com muitas movimentações de pessoas.

Com os Jogos Olímpicos de Paris a aproximar-se e com a expectativa de receber mais de 15 milhões de visitantes, as autoridades estão a reforçar os controlos nas fan zones, onde se podem reunir os visitantes de todo o mundo, e nos aeroportos.

Os sintomas da dengue incluem febre alta, dores de cabeça e náuseas: as infeções graves podem levar à morte, embora sejam raras se detetadas precocemente.

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