Reforça aposta na modernização

Com quase 500 anos de história os CTT têm vindo a diversificar o seu negócio e a apostar fortemente na digitalização dos processos, dos serviços e dos produtos, fazendo face à queda do negócio tradicional, uma tendência a nível global e à qual os CTT não são alheios.

A digitalização é, também ela, uma tendência a nível global, onde os CTT têm vindo a investir fortemente. Apesar da actividade tradicional de correio ainda ter um peso expressivo nas receitas, a empresa tem vindo a implementar uma estratégia de diversificação do negócio, apostando em duas alavancas de crescimento: o Expresso & Encomendas e Banco CTT.

No Expresso & Encomendas, onde a empresa é líder de mercado, têm sido lançados vários serviços inovadores, produtos disruptivos – uns em projecto- -piloto e outros já implementados – e, em breve, chegará ao mercado o Dott, o marketplace que conta com os CTT como accionista. Já no Banco CTT tem-se verificado a consolidação nos últimos dois anos, com ofertas competitivas no crédito à habitação e automóvel e ferramentas digitais criadas para o benefício dos clientes, 40% dos quais são millennials.

Estas apostas são feitas sem esquecer a rede base, onde assenta o negócio tradicional dos CTT e onde a empresa anunciou recentemente um investimento de 40 milhões de euros nos próximos dois anos na modernização da operação postal e logística.

Francisco de Lacerda, presidente-executivo dos CTT, afirmou em comunicado que “o Plano de Modernização e Investimento representa um investimento ímpar que prepara os CTT para o futuro. Estamos a modernizar uma infraestrutura que foi desenhada há 30 anos, para responder às novas exigências do sector postal, continuar a potenciar a qualidade e melhorar as condições de trabalho, reforçando o importante papel dos nossos carteiros como elo de ligação às comunidades locais. A nova vaga de mecanização, a nova organização da rede e o uso de ferramentas avançadas vai permitir melhorar a eficiência e eficácia da rede postal.” Este é um investimento que prepara os CTT para o futuro, assegurando a sustentabilidade da empresa e reforçando a qualidade do serviço.

Acompanhando todos os momentos disruptivos de inovação, desde o transporte do correio por via ferroviária ao desenvolvimento das telecomunicações e automatização do tratamento dos correios os CTT estão agora a apostar na ponte entre o mundo digital e o mundo físico e em fenómenos como a robotização, a internet das coisas e o Big Data.

GRANDES APOSTAS
No Centro de Produção e Logística do Sul, em Cabo Ruivo, Lisboa, os CTT investiram dois milhões de euros num “braço robótico”, com capacidade para tratar mais de 95 mil objectos por dia e que está preparada para responder às novas necessidades do negócio postal, nomeadamente as decorrentes do e-commerce, automatizando o tratamento de pequenas encomendas. A Cabo Ruivo chegam, por dia, cerca de três milhões de objectos, totalizando 600 milhões por ano. Esta máquina única na Europa é alimentada por veículos autónomos de suporte às operações, um projecto desenvolvido em parceria com a startup Robosavvy.

Estas alterações são potenciadas pelo crescimento do e-commerce e os CTT querem continuar a contribuir para esse crescimento. A expectativa é que volume de negócios global anual de e-commerce se mantenha nos dois dígitos, pelo menos até 2020, o que representa um aumento de cerca de 10% desde 2015 para 2020, rondando os 5,4 mil milhões de euros. Ainda assim, o volume de encomendas per capita e a penetração de vendas online no retalho total em Portugal e Espanha muito abaixo da média de outras geografias, havendo forte potencial de crescimento. Os CTT têm crescido na ordem dos dois dígitos todos os trimestres e a aposta é para continuar. Por isso, a empresa tem investido em produtos ligados ao e-commerce ou à digitalização. Em causa está, por exemplo, a proposta e-Segue, na área de Expresso & Encomendas, que permite ao destinatário aceder à app CTT e-segue para alterar a hora e local da recepção da sua encomenda a qualquer momento. No correio foi lançado o CTTAds,pt, que permite a uma PME, de forma online e self service, montar as suas campanhas de correio publicitário, sms marketing e e-mail marketing. Já no e-commerce foi lançado o Express2Me, um serviço dos CTT que permite fazer compras online em lojas de países que não fazem envios para fora do seu próprio país, nomeadamente nos EUA e Reino Unido. Em piloto está o projecto dos Cacifos Automáticos, com lockers para a recolha de encomendas espalhados por 14 pontos da cidade. E, em breve, será lançado em Lisboa o piloto SuperExpress, que consiste na entrega de correspondência ou encomendas dentro de uma janela horária curta (duas horas, por exemplo), em que o cliente define o ponto de recolha e entrega.

ADN DE INOVAÇÃO
Estes são apenas alguns exemplos da inovação que tem vindo a ser desenvolvida dentro dos CTT. Ao longo dos últimos anos são vários os projectos que têm saído de dentro da empresa. Por isso, os CTT lançaram, pela primeira vez, o Relatório de Inovação CTT 2018, onde se agregam as principais iniciativas da empresa ligadas à inovação mas também se  discutem tendências para o sector.

No curto prazo, tecnologia como a Inteligência Artificial (IA), o Big Data, a Internet (Postal) das Coisas, a Robotização e Automatização, a Realidade Aumentada, a Omnicanalidade, a Crowd-Economy, as Cadeias Avançadas de Distribuição & Logística podem ter uma forte influência na actividade postal. Já no médio e longo prazo estão em causa os veículos autónomos, a realidade virtual, a tecnologia blockchain, a Impressão 3D, a Computação Quântica, a economia circular e logística sustentável e ainda o estilo de vida Smart Living e a Silver Economy.

Além da identificação destas tendências e da aposta na inovação os CTT não são alheios ao desenvolvimento do ecossistema empreendedor português, cada vez mais relevante. Por isso, foi lançada em Outubro uma nova marca para o programa da empresa e interacção com startups, procurando projectos que se enquadrem no negócio do sector postal, potenciando áreas de colaboração conjunta e disponibilizando possíveis benefícios para as startups.

STARTUPS COM NOVA VIDA
O CTT 1520 StartuProgram já mapeou mais de 1000 startups, com cerca de 100 empresas identificadas como tendo potencial para trabalhar com a empresa. Vinte destas empresas estão em avaliação detalhada, cinco em piloto técnico e uma em piloto comercial. Além disso, sete destas empresas estão em parceria comercial com os CTT, nomeadamente a Pudo.pt para os Cacifos Automáticos ou a Shopkit para a integração com a oferta e-commerce.

Este é um projecto emblemático e consiste num veículo de três rodas, 100% eléctrico, para a entrega de correio em ambiente urbano. Começou como um projecto-piloto em Aveiro e vai ser alargado, através de 12 veículos, a mais quatro cidades: Lisboa, Porto, Aveiro e Évora. Os CTT têm a maior frota eléctrica do país, com 353 veículos eléctricos e 10% da frota é movida a combustível não fóssil, além de apresentar um portefólio ecológico ou carbonicamente neutro. Fruto destas políticas, entre 2010 e 2017 as poupanças acumuladas na factura energética dos CTT atingiram os 15 milhões de euros.

E O FUTURO?
Além dos vários projectos que estão em piloto ou em desenvolvimento, no âmbito da cultura de inovação cada vez mais instituída na empresa, os CTT estão a trabalhar em várias frentes, garantindo que continuarão a ser relevantes, competitivos e sustentáveis. Embora o correio tradicional vá continuar a decair não irá desaparecer. Contudo, o digital vai desempenhar um papel cada vez mais relevante, fruto também da diversificação do negócio que a empresa implementa há vários anos. Por outro lado, estão a ser desenvolvidas medidas para tornar os processos cada vez mais eficientes, aumentando o nível de robotização e automatização.

Em causa está a busca de soluções mais eficientes, que reduzam o esforço associado ao manuseamento diário de milhares de objectos e que permitam que os funcionários da empresa se dediquem a funções de maior valor acrescentado. A empresa acredita que a tecnologia e as ferramentas da indústria 4.0 vão permitir o surgimento de novas e mais qualificadas profissões, ligadas à análise de dados, à monitorização de equipamentos e permitindo a colaboração entre robots e humanos no mesmo ambiente, na preparação do trabalho em conjunto para máquinas divisoras de grande porte, no suporte à distribuição através da utilização de algoritmos para
ajudar na identificação do endereço correcto ou até robots que possam acompanhar o carteiro no seu percurso, eliminando a necessidade de transporte de carga.

Já em ambiente de backoffice e apoio ao cliente os robots ou os chatbots poderão substituir algumas funções, aproveitando o desenvolvimento da IA e de machine learning aliadas à robotização e que darão origem a uma nova vaga de digitalização.

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