Corte de produção ameaça subida de preços em frutas e legumes

Os produtores de frutas e legumes assumem a possibilidade de reduzir a semeadura e encolher as próximas colheitas, devido à quebra verificada no consumo, numa altura de pandemia, duas medidas que no pior cenário podem significar uma subida de preços. Os horticultores encontram-se a realizar todos os esforços para manter o abastecimento, contudo existem várias dificuldades logísticas, de acordo com o ‘CM’.

«Não sabemos se devemos continuar a semear ou retrair», diz Firmino Cordeiro, da Associação de Jovens Agricultores. Com barreiras nas exportações e quebras de encomendas de hotéis, restaurantes e cantinas, multiplicam-se situações em que há acumulação de frescos.«As empresas arriscam ter de destruir fruta excelente», alerta Gonçalo Santos de Andrade da Portugal Fresh. Morangos, mirtilos, groselhas e framboesas são os mais afectados. No caso das maçãs, as câmaras frigoríficas estão quase lotadas.

Ana Brigite Matias, representante dos agricultores do litoral alentejano, refere que nos próximos meses vai registar-se na região uma «quebra» de produtos tais como alface ou tomate, isto porque «A maior parte do material para as estufas vinha da China».

A Confederação Nacional da Agricultura já pediu ajuda ao Governo, no sentido de voltar a abrir os mercados para que seja possível escoar os produtos. «Os supermercados não chegam», alerta o dirigente João Dinis. 

A Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste (AIHO, admite que existe escassez de determinados produtos frescos: «Os empresários têm tentado cumprir as encomenda», garante António Gomes, presidente da AIHO, frisando que alguns consumidores têm mostrado resistência a produtos como «alface, tomate», com medo que existam «contaminações, mas é um perigo infundado», refere.

O responsável indica que a maior dificuldade está na logística, uma vez que existe falta de pessoal nas centrais de preparação, embalamento e expedição, bem como no transporte dos produtos. «Há muita gente em casa por diversas situações, desde quarentena, a tomar conta dos filhos ou com receio de viajar».Quanto aos preços, diz o dirigente, tem havido «alguma oscilação, mas não tem havido especulação».

Também os produtores de carne de bovino mirandês encontram-se preocupados com a quebra nas vendas. «Dos 430 clientes activos, ficaram 19», conta Nuno Paulo da Cooperativa Agropecuária Mirandesa. A concorrência de Espanha, com preços menores, preocupa. Em plena Páscoa, a redução nas encomendas faz-se sentir ainda no cabrito.

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