COP30: Cimeira de Líderes arranca hoje no Brasil com Luís Montenegro: evento rodeado de medidas de segurança extremas

Convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reunião de alto nível visa preparar o terreno político e diplomático antes da COP30, que se realizará de 10 a 21 de novembro, também em Belém

Francisco Laranjeira
Novembro 6, 2025
6:45

O primeiro-ministro Luís Montenegro é um dos líderes presentes em Belém do Pará, no Brasil, onde arranca esta quinta-feira a cimeira de líderes mundiais que antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30). O encontro, que decorre até sexta-feira, reúne chefes de Estado e de Governo de 57 países, entre os quais Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Colômbia e Cabo Verde, segundo a AFP.

Convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reunião de alto nível visa preparar o terreno político e diplomático antes da COP30, que se realizará de 10 a 21 de novembro, também em Belém. A cidade amazónica acolherá cerca de 50 mil participantes, num evento considerado histórico por decorrer no coração da maior floresta tropical do mundo, símbolo crucial da luta contra o aquecimento global.

A escolha de Belém trouxe, contudo, desafios logísticos e de alojamento, com preços elevados e oferta limitada de hotéis. A Organização Meteorológica Mundial e a Organização Mundial da Saúde já anunciaram delegações reduzidas por razões orçamentais e de sustentabilidade.

Entre os ausentes estarão os Estados Unidos, que não enviarão representantes, e a China, que será representada pelo vice-primeiro-ministro em vez do presidente Xi Jinping.

ONU prevê aumento global da temperatura entre 2,3 °C e 2,5 °C

Às vésperas da conferência, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) revelou que, mesmo que os países cumpram as metas climáticas atualmente previstas até 2035, o aquecimento global deverá atingir entre 2,3°C e 2,5°C acima dos níveis pré-industriais neste século.

O valor ultrapassa o limite de 1,5°C definido no Acordo de Paris, adotado há uma década, e reflete o fracasso coletivo em travar o aumento das emissões. De acordo com a ONU, o mundo continua a queimar quantidades crescentes de petróleo, gás e carvão, o que levou a um aumento de 2,3% nas emissões globais em 2024.

Os principais responsáveis pelo crescimento são a Índia, China, Rússia e Indonésia, enquanto a União Europeia mantém uma trajetória de redução e os Estados Unidos registaram uma ligeira subida.

“A ambição e a ação continuam muito aquém do necessário”, alertou Anne Olhoff, responsável científica do relatório, sublinhando que cada fração de grau adicional aumenta a frequência de fenómenos extremos como ondas de calor, ciclones e inundações.

O relatório reforça que, para inverter a tendência, será necessária uma redução drástica das emissões e o aumento da capacidade de absorção de CO₂, quer através de florestas, quer com tecnologias de captura de carbono ainda em fase experimental.

Cimeira decorre sob segurança reforçada

Com dezenas de líderes mundiais em Belém, as autoridades brasileiras montaram uma operação de segurança sem precedentes. A Força Aérea Brasileira (FAB) vai utilizar aeronaves de caça F-5M armadas com mísseis Python 4 e aviões A-29 Super Tucano para garantir a soberania e a segurança do espaço aéreo durante os dias 6 e 7 de novembro.

Um avião de vigilância E-99 monitorizará o tráfego aéreo, enquanto helicópteros H-60L Black Hawk apoiarão missões de busca e salvamento e controlo de solo. Também serão criadas zonas de exclusão aérea temporárias, com restrições à circulação de aeronaves civis durante o evento.

A COP30 arranca oficialmente no próximo dia 10 de novembro, com a presença confirmada de 170 delegações e o desafio central de reconstruir a confiança global num momento em que o planeta caminha para um aquecimento bem acima das metas acordadas em Paris.

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