Controlo dos EUA na Venezuela ameaça infraestruturas sensíveis da China

A China é também o maior investidor estrangeiro na Venezuela e um dos principais compradores do seu petróleo, de acordo com o jornal de Hong Kong ‘South China Morning Post’

Executive Digest com Lusa
Janeiro 6, 2026
8:45

Após a captura do líder da Venezuela Nicolás Maduro e a sua transferência para Nova Iorque para ser julgado, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os EUA vão “gerir” a Venezuela e “reparar a infraestrutura petrolífera” do país com as maiores reservas de crude do mundo.

Segundo o jornal de Hong Kong ‘South China Morning Post’, entre os ativos em risco está a estação de rastreio de satélites de El Sombrero, localizada na base aérea Capitão Manuel Ríos, e a sua estação de apoio em Luepa, no estado de Bolívar. Construídas pela estatal China Great Wall Industry Corporation, estas infraestruturas operam o satélite de observação terrestre VRSS 2, lançado pela China em 2017, e poderão igualmente servir os esforços mais amplos de rastreio espacial de Pequim, face às crescentes dificuldades para garantir instalações semelhantes noutros países.

A China é também o maior investidor estrangeiro na Venezuela e um dos principais compradores do seu petróleo, de acordo com o jornal.

Segundo um relatório da estatal chinesa CNPC de 2014, engenheiros chineses modernizaram poços envelhecidos com novas sondas, sistemas de injeção de água e melhorias em refinarias, aumentando a produção até oito vezes em algumas zonas.

Em áreas ambientalmente sensíveis da floresta tropical, as equipas chinesas implementaram normas de segurança e proteção ambiental que valeram ao projeto o Prémio Nacional de Perfuração Verde da Venezuela.

No entanto, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou no domingo que Washington não permitirá que “inimigos dos EUA controlem esses recursos”, numa referência direta à China e à Rússia.

As redes de telecomunicações chinesas também estão sob risco. Empresas como a Huawei e a ZTE, que ajudaram a montar a infraestrutura digital venezuelana, poderão enfrentar sanções ou cancelamento de contratos. A Huawei, presente no país desde 1999, manteve durante décadas uma relação estreita com a estatal CANTV, parceria que poderá agora desmoronar sob um governo mais alinhado com os EUA.

A nomeação da vice-presidente, Delcy Rodríguez, como presidente interina pelo Supremo Tribunal venezuelano e a sua tomada de posse na segunda-feira sugerem um possível reordenamento político.

No mesmo dia, Maduro e a esposa, Cilia Flores, compareceram perante um tribunal federal em Manhattan, onde o antigo chefe de Estado afirmou estar “inocente” e continuar a ser “presidente do [seu] país”.

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