Compras em segunda mão: quais as oportunidades e negócios mais vantajosas? Inquérito explica

As plataformas online dominaram nos negócios entre particulares. O preço foi negociável na maior parte das transações, com descontos de 21% em média. Problemas, houve poucos, e a satisfação foi alta. Os resultados do inquérito da DECO PROteste a cerca de 1050 consumidores espelham como mexe o mercado dos usados em Portugal.

Executive Digest com DECO PROTeste
Dezembro 25, 2025
15:00

As plataformas online dominaram nos negócios entre particulares. O preço foi negociável na maior parte das transações, com descontos de 21% em média. Problemas, houve poucos, e a satisfação foi alta. Os resultados do inquérito da DECO PROteste a cerca de 1050 consumidores espelham como mexe o mercado dos usados em Portugal.

Os produtos em segunda mão já fazem parte dos interesses de uma fatia significativa da população. Num inquérito conduzido pela DECO PROteste, 81% dos inquiridos revelaram procurar este tipo de artigos. Quase metade destes fá-lo, no mínimo, uma vez por mês.

Um número considerável de inquiridos (46%) considera muito arriscado optar pelo mercado de usados, não só pelo risco de fraudes, mas também pelo mau estado de conservação em que o produto possa estar, entre outros motivos. O estudo da DECO PROteste sugere que os problemas não são tão frequentes como se possa pensar e podem ser reduzidos adotando algumas medidas de segurança, que passam por uma atenção redobrada aos detalhes.

Caso compre online, uma dessas medidas pode ser utilizar a ferramenta da DECO PROteste que permite verificar se o site que irá visitar é seguro.

Outra das conclusões que podem ser retiradas do estudo é que, na maior parte das compras, há margem para negociação e é possível reduzir o preço inicial do produto.

Três quartos dos portugueses fazem compras em segunda mão

Nos 12 meses anteriores ao inquérito, 74% dos inquiridos tinham comprado algum produto usado. Destes, 41% tinham feito pelo menos três compras neste período.

Esta tendência é mais vincada em pessoas com menos de 55 anos. De acordo com o estudo, a partir desta idade, a probabilidade de comprar produtos em segunda mão é menor (apenas 61% dos inquiridos entre os 55 e os 74 anos compraram).

Cada comprador adquiriu, em média, sete produtos usados. Mas há recordistas: seis por cento compraram mais de 20 artigos.

gasto médio foi de 206 euros. A maioria (55%) não foi, no entanto, além dos 100 euros em compras. Ainda assim, 2% gastaram mais de mil euros em produtos usados.

 

Plataformas online juntam maioria dos compradores e vendedores

Quando questionados acerca da mais recente experiência de compra nos 12 meses anteriores ao inquérito, cerca de 60% dos inquiridos tinham-no feito a particulares através de um site ou plataforma online (como o OLX ou a Vinted). Dezassete por cento fizeram negócio com particulares sem recurso a mediadores; por exemplo, compraram a amigos e familiares, ou em mercados de rua. Também há lojas a vender artigos em segunda mão: 12% dos inquiridos recorreram a lojas físicas; 6% a lojas online.

Roupa, calçado e acessórios de moda foram os produtos preferidos de 33% dos compradores. São, aliás, os artigos mais procurados, comprados e vendidos no mercado de usados. Treze por cento dos compradores investiram em livros, banda desenhada, CD, DVD e discos em vinil. Um em cada dez comprou móveis, objetos de decoração e artigos de bricolagem.

Sete em cada dez inquiridos compraram produtos cujo preço era fixo, mas negociável. Oitenta por cento acabaram por pagar menos. O desconto médio foi de 21%, o que demonstra que vale a pena negociar.

Quando o preço não era negociável, 83% dos compradores pagaram mesmo o que estava afixado, mas 12% ainda conseguiram um desconto. Este foi, no entanto, bastante menor que na situação anterior, na ordem dos três por cento, em média.

Muitas compras pagas diretamente ao vendedor e em dinheiro

Na última transação, mais de sete em cada dez compradores pagaram diretamente aos vendedores. O pagamento através da plataforma foi feito apenas em 26% das compras.

Mais de metade das entregas foram feitas pessoalmente. Não admira que cerca de 40% dos pagamentos tenham sido feitos em dinheiro, diretamente aos vendedores. A segunda forma de pagamento mais frequente (22%) foi o MB Way. O cartão bancário (18%), as transferências interbancárias (13%) e o PayPal (8%) foram outras formas de pagamento.

O mercado dos produtos usados acaba por ser muito informal. Dos inquiridos que compraram através de site ou plataforma (a larga maioria, como já foi dito), apenas 17% receberam fatura. No caso das compras feitas entre pessoas conhecidas e em mercados de rua, este número desce para seis por cento. Nas lojas, a fatura esteve presente com muito mais frequência: 53% em lojas físicas e 43% em lojas online.

Compras em segunda mão quase sempre sem problemas

No geral, os portugueses são cuidadosos com as compras de produtos usados. Há uma série de informações que costumam pedir ou procurar antes de fazer o negócio.

A informação que menos é descurada refere-se às características (marca, aspeto, estado de conservação, etc.) do produto: 77% dos compradores consultam-na sempre. Sensivelmente o mesmo número de pessoas confirma sempre os custos da entrega previamente à compra.

Outras informações que os compradores nunca deixam à sorte são, entre outras, o valor de mercado do mesmo produto em novo (65%) e em segunda mão (56%), a localização do vendedor (57%) e a idoneidade do mesmo (52%) – através de comentários dos utilizadores ou da classificação nas plataformas de vendas, por exemplo.

Talvez como consequência desses cuidados, embora não seja possível fazer uma relação direta entre os dois resultados, 95% dos inquiridos que compraram produtos em segunda mão nos 12 meses anteriores ao inquérito afirmaram não ter tido problemas com a transação mais recente que realizaram.

Os poucos negócios que não correram bem foram feitos sobretudo entre privados sem mediação. Algumas das situações reportadas: o produto estava em piores condições do que o anunciado, tinha falta de peças ou acessóriospeças partidas, ou houve alteração de preço durante a transação.

satisfação global em relação à última compra realizada pelos inquiridos é elevada: 8,7 pontos. O aspeto mais positivo foi a variedade de opções e a facilidade de pagamento (8,9 pontos). Já as comissões cobradas pelos sites e plataformas foi o que menos agradou (7 pontos).

Menos vendedores do que compradores

Se 74% dos inquiridos tinham feito uma compra nos últimos 12 meses, apenas 41% fizeram uma venda. Transacionaram, em média, oito produtos, com um ganho médio de 167 euros. A roupa, o calçado e acessórios de moda são também os artigos mais vendidos (40 por cento).

A esmagadora maioria (97%) dos vendedores não reportou problemas com o último negócio que realizou antes do inquérito. Ficaram, tal como os compradores, muito satisfeitos com as vendas realizadas, sendo a satisfação global de 8,7 pontos.

Para estes inquiridos, as questões relacionadas com o pagamento (8,9 pontos) e o preço final (8,3 pontos) foram os mais satisfatórios. As comissões pagas pelo serviço foram, no entanto, o aspeto menos positivo na última venda (7,4 pontos).

Negócios bons para a carteira e para o ambiente

Para a grande maioria dos inquiridos (81%), a compra e venda de bens usados é boa para o ambiente. De facto, dar uma segunda vida a produtos que, provavelmente, seriam descartados faz parte da chamada economia circular, cujo objetivo é reduzir o consumo de recursos naturais e a acumulação de lixo.

Mas os intervenientes não ficam a perder. Para 81% dos consumidores que participaram no inquérito, alguns produtos usados são quase tão bons como os novos. Setenta por cento dos inquiridos pensam mesmo que não vale a pena comprar um produto novo, quando podem pagar menos por um em segunda mão.

Cerca de três quartos têm a perceção de que o interesse por estes bens cresceu muito na última década, e 60% estão convencidos de que as gerações mais novas estão mais dispostas a seguir esta tendência (o que é confirmado pelos resultados do estudo). Mais de 70% acreditam até que comprariam ainda mais artigos em segunda mão se pudessem experimentá-los antes de comprar, o que, nas compras à distância, se torna mais difícil.

Mas nem todas as opiniões são tão positivas. Dois em cada dez inquiridos rejeitam os produtos em segunda mão exatamente por já terem sido usados por outras pessoas.

Neste estudo foram recebidas 1047 respostas válidas para Portugal, tendo sido a amostra ponderada por género, idade (18 aos 74), região e nível de escolaridade, para refletir as tendências nacionais. Os resultados espelham as opiniões e experiências dos inquiridos.

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