Coca-Cola, Unilever e IKEA acusadas de alegações “enganosas” sobre utilização de plástico dos oceanos e reciclado

De acordo com um relatório recente, empresas como a Coca-Cola, Unilever ou IKEA são acusadas de uma “lavagem verde” (greenwashing) enganosa por alegarem que as suas embalagens plásticas cumprem com todos os requisitos ecológicos.

André Manuel Mendes
Junho 30, 2022
14:54

De acordo com um relatório recente, empresas como a Coca-Cola, Unilever ou IKEA são acusadas de uma “lavagem verde” (greenwashing) enganosa por alegarem que as suas embalagens plásticas cumprem com todos os requisitos ecológicos.

“A Coca-Cola, Unilever, IKEA, TESCO e a marca de roupas de Kim Kardashian, SKIMS, estão entre as chamadas pela Changing Markets Foundation por alegações “enganosas e mentirosas”, pode ler-se no relatório desenvolvido pela Changing Markets Foundation.

De acordo com George Harding-Rolls, gestor de campanha da Changing Markets Foundations, esta investigação “expõe uma série de alegações enganosas de nomes familiares que os consumidores devem poder confiar. Esta é apenas a ponta do iceberg e é de importância crucial que os reguladores levem esta questão a sério”.

O relatório mostra que, a Coca-Cola, por exemplo, gastou milhões para mostrar que 25% das suas garrafas são feitas de plástico marinho, mas não menciona que a empresa é a maior poluidora de plástico do mundo.

Outro exemplo dado é o da empresa de roupas de Kim Kardashian, a Skims, que na sua embalagem de roupas íntimas afirmam “Eu não sou plástico”, mas que em letras pequenas está descrita a informação de que o produto contém plástico tipo 4 ou LDPE (Polietileno de baixa densidade).

No caso da Unilever, a empresa substituiu as garrafas PET recicláveis de detergente por bolsas como parte do seu impulso de recarga ecológica. Mas, ao contrário das garrafas PET, as bolsas não são recicláveis e contêm apenas duas recargas.

“Os consumidores estão a ser incentivados a comprar o champô Head and Shoulders da Procter & Gamble porque é feito de ‘plástico de praia’, mas a garrafa é tingida de azul, o que significa que não pode ser reciclada”, é outro dos exemplos dados.

Já a IKEA lançou a sua gama MUSSELBLOMMA de “têxteis sustentáveis” feitos de plástico parcialmente recolhido no Mar Mediterrâneo. No entanto, produzir e comprar esses produtos não faz nada para impedir que esse plástico entre no oceano em primeiro lugar, e também remove as garrafas PET do circuito circular.

A greenwash.com, plataforma criada pela Changing Markets Foundation para expor tentativas de “lavagem verde” pretende expor as “falsas alegações verdes pelo que são” e mostrar como as “marcas e os retalhistas estão desesperados para manter os negócios como de costume, enquanto enganam os consumidores, fazendo-os pensar que estão fazendo escolhas éticas”.

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