Os microplásticos são um dos principais problemas que mais preocupam médicos e cientistas, especialmente em relação aos seus efeitos na saúde. Esse conceito foi cunhado há 20 anos pelo biólogo marinho Richard Thompson, da Universidade de Plymouth (Reino Unido), após encontrar essas minúsculas partículas numa praia, de acordo com o ‘Scientific Information and News Service’ (SINC).
Inicialmente, os cientistas levantaram a hipótese de que esses microplásticos eram ingeridos através dos alimentos, mas eliminados pelas fezes ou urina. No entanto, um estudo de 2018 identificou-os pela primeira vez no intestino. Embora tivessem sido identificados apenas nessa parte do corpo, os especialistas alertaram que as partículas menores poderiam entrar na corrente sanguínea, no sistema linfático e chegar ao fígado.
Em 2022, cientistas holandeses identificaram microplásticos no sangue humano pela primeira vez, especificamente traços de PET e poliestireno, o que implica sua presença em todo o corpo. Embora ainda não existam estudos suficientes sobre o assunto, alguns já concluíram que eles podem atuar como desreguladores endócrinos.
Além disso, estudos mais recentes indicaram que os microplásticos no sangue podem desencadear a formação de coágulos sanguíneos no cérebro, assim como ocorre nas artérias. Ademais, além desses problemas vasculares, também podem induzir disfunções neurológicas ao ativar células imunológicas nesse órgão.
Quais são as consequências para a saúde?
Embora os microplásticos possam chegar a qualquer lugar através da corrente sanguínea, essa não é a única via de entrada. Investigadores britânicos encontraram microplásticos nos pulmões de pacientes cirúrgicos, o que os levou a suspeitar que os plásticos foram inalados.
A questão que os cientistas se colocam hoje é quais as consequências disso. Uma avaliação inicial sugere que a ingestão de microplásticos reduz a diversidade bacteriana da microbiota do cólon, além de perturbar o equilíbrio dos microrganismos presentes.














