A China decidiu proibir as fabricantes automóveis de vender veículos abaixo do custo total de produção, numa medida que visa pôr fim à guerra de preços que marcou o setor nos últimos anos, noticia o ‘El Economista’.
A decisão foi anunciada pela Administração Estatal de Regulação do Mercado, que definiu novas diretrizes para o setor automóvel. Entre elas, destaca-se a proibição explícita da venda de automóveis abaixo do custo total de produção, conceito que passa a incluir despesas industriais, administrativas e financeiras.
Ao adotar uma definição mais abrangente de custo, o regulador fecha uma brecha que vinha sendo explorada por várias empresas para sustentar estratégias agressivas de expansão, baseadas em reduções sucessivas de preços. Essa prática desencadeou uma intensa guerra comercial que gerou crescente preocupação em Pequim.
As novas orientações não se limitam às vendas abaixo do custo. A China proibiu também a fixação de preços entre fabricantes e fornecedores e a pressão exercida pelas marcas sobre concessionários para forçá-los a vender com prejuízo através de programas de descontos. Além disso, o Governo criou uma classificação das plataformas digitais de venda de automóveis como sistemas de monitorização em tempo real, com o objetivo de detetar preços anormalmente baixos e evitar riscos tanto para consumidores como para reguladores.
A guerra de preços transformou profundamente a indústria automóvel chinesa, consolidando a posição de grandes grupos como a BYD e a Tesla, enquanto fabricantes de menor dimensão tiveram dificuldade em acompanhar a espiral de cortes. A pressão estendeu-se à cadeia de abastecimento, com marcas a exigirem reduções adicionais aos fornecedores.
Apesar da intervenção regulatória, o contexto do mercado mantém-se desafiante. Segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros, as vendas de automóveis de passageiros caíram 13,9% em janeiro face ao mesmo mês de 2025. No segmento dos elétricos e híbridos plug-in, a quebra atingiu 20%.
O aviso político já tinha sido dado meses antes. Em junho de 2025, o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um editorial a criticar a “concorrência desenfreada”, alertando que guerras de preços poderiam comprometer a segurança da cadeia de abastecimento e prejudicar a reputação internacional do “Made in China”.
Também a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis advertiu que guerras de preços desordenadas intensificam a concorrência excessiva e comprimem as margens de lucro, com potenciais impactos na qualidade dos produtos e nos serviços pós-venda, colocando em risco o desenvolvimento sustentável do setor e os direitos dos consumidores.
Com estas medidas, Pequim procura estabilizar o mercado, proteger a cadeia de valor e travar uma espiral de descontos que, embora tenha impulsionado vendas no curto prazo, ameaçava a rentabilidade e a sustentabilidade da indústria automóvel chinesa a médio e longo prazo.









