China começa a aplicar IVA a preservativos e pílulas após queda da natalidade

A China começou a aplicar IVA a medicamentos e produtos contracetivos, pela primeira vez em mais de três décadas, como parte dos esforços para incentivar os casais a terem mais filhos.

Executive Digest com Lusa
Janeiro 2, 2026
8:49

A China começou a aplicar IVA a medicamentos e produtos contracetivos, pela primeira vez em mais de três décadas, como parte dos esforços para incentivar os casais a terem mais filhos.

A nova lei do imposto sobre o valor acrescentado (IVA) entrou em vigor na quinta-feira, cobrindo todos os “medicamentos e produtos contracetivos”, assim como testes de gravidez.

Estes produtos, que incluem os preservativos, deixam de estar isentos de imposto e passam a estar sujeitos à taxa normal de 13%, aplicável à maioria dos bens de consumo na China.

A agência de notícias oficial chinesa Xinhua explicou que, no passado, quando o país estava sob a política do filho único, a isenção fiscal garantia o acesso a produtos contracetivos básicos.

Mas a Xinhua sublinhou que, com a aceleração da construção de uma “sociedade pró-natalidade”, a procura da população por produtos de saúde reprodutiva “mudou gradualmente”.

Embora a imprensa estatal não tenha dado grande destaque à medida quando foi anunciada, em meados de dezembro, o tema tornou-se viral nas redes sociais chinesas, gerando críticas e ironia.

“Só um tolo não perceberia que criar um filho custa mais do que comprar preservativos, mesmo com imposto”, comentou um utilizador na rede social Weibo, semelhante à rede social X.

Especialistas alertaram, no entanto, para riscos mais sérios, incluindo um possível aumento de gravidezes não planeadas e de doenças sexualmente transmissíveis, devido ao encarecimento dos contracetivos.

Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas, nasceram 9,5 milhões de bebés na China em 2024, cerca de um terço menos do que os 14,7 milhões registados em 2019, apesar de o ano do Dragão – auspicioso no horóscopo chinês – ter impulsionado ligeiramente a taxa de natalidade.

Com o número de mortes a superar o de nascimentos, a China perdeu em 2023 o estatuto de país mais populoso do mundo para a Índia.

Como acontece na maioria dos países, têm sido as mulheres a assumir a responsabilidade pela contraceção na China. De acordo com um estudo divulgado pela Fundação Bill & Melinda Gates em 2022, apenas 9% dos casais chineses usam preservativos, contra 44,2% que usam dispositivos intrauterinos e 30,5% que recorrem à esterilização feminina. A esterilização masculina representa 4,7% e o restante utiliza pílulas ou outros métodos.

Face à longa tradição de controlo estatal sobre os corpos e decisões reprodutivas das mulheres, algumas manifestaram desagrado com a nova medida.

Não há dados oficiais sobre o consumo anual de preservativos na China e as estimativas variam. Segundo a plataforma internacional de estudos de mercado IndexBox, a China consumiu 5,4 mil milhões de preservativos em 2020, o 11. ano consecutivo de aumento.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.