O centro português Fibrenamics – Instituto de Inovação em Materiais Fibrosos e Compósitos disse hoje à Lusa haver sinais de uma maior abertura do mercado da China à colaboração com o estrangeiro em tecnologia de ponta.
“Claramente já começa a haver aqui sinais muito interessantes e positivos de abertura. Esta exposição é prova disso”, disse o diretor de marketing do Fibrenamics.
Pedro Pacheco falava durante o terceiro dia da segunda edição da Exposição Económica e Comercial China–Países de Língua Portuguesa, que está a decorrer em simultâneo com a 30.ª Feira Internacional de Macau.
“Sem dúvida que já se vêm sinais muito interessantes daqui da abertura do mercado chinês”, disse o executivo, antes de viajar até Guangzhou, capital da vizinha província de Guangdong.
“É uma empresa que nos abordou e pediram-nos para ir lá falar com eles, no sentido de inovar um bocadinho, melhorar a qualidade ou o desempenho ou o valor acrescentado para o mercado”, explicou Pacheco.
“Nós queremos estar nessa linha da frente, queremos estar a sentir o pulso dessa abertura, dessa nova mentalidade”, acrescentou o diretor de marketing.
O Fibrenamics, que tem a Universidade do Minho entre os seus parceiros, é um centro de tecnologia e inovação que estuda soluções para arquitetura, construção, desporto, medicina, proteção e transportes.
“O nosso foco é claramente internacional”, disse Pedro Pacheco, que apontou Macau como “um ponto ideal” para abordar a China, “por causa também desta proximidade cultural, a questão da língua”.
O português é uma das duas línguas oficiais de Macau, pelo menos durante os primeiros 50 anos da nova região semiautónoma chinesa, segundo o acordo bilateral que permitiu a transição de administração da cidade, em 1999.
O Instituto de Inovação em Materiais Fibrosos e Compósitos já desenvolveu equipamentos de proteção pessoal para o Exército português e colaborou com universidades dos Estados Unidos.
O diretor para a inovação de negócios do Fibrenamics, Eduardo Bacelar Pinto, admitiu que “as lógicas a que podemos chamar de geopolíticas” podem complicar a cooperação internacional.
Mas o investigador da Universidade do Minho sublinhou que “o conhecimento é intangível, não passa alfândegas, nem tem de ser transportado”.
A inovação desenvolvida no Fibrenamics permite atualmente “um comungar dos valores do negócio” com a preocupação pela proteção do ambiente, acrescentou Bacelar Pinto.
O executivo demonstrou interesse em usar Macau ou a zona económica especial na vizinha Hengqin (ilha da Montanha) como base para explorar o mercado da China continental.
“Temos é que ter umas oportunidades e parcerias locais, porque sozinhos acho que é muito difícil”, admitiu Bacelar Pinto.
O diretor para a inovação de negócios do Fibrenamics disse ter visto vontade e interesse em possíveis parcerias com universidades, instituições de investigação ou com empresas privadas.














