O uso de câmaras escondidas em locais públicos, incluindo casas de banho, está a aumentar na Europa, alertam especialistas em segurança citados pelo jornal espanhol ’20minutos’. Estes dispositivos, cada vez mais pequenos e sofisticados, têm sido descobertos em espaços aparentemente seguros, disfarçados em objetos banais do quotidiano.
De acordo com os britânicos do ‘Mirror’, que cita peritos da empresa britânica Online Spy Shop, dedicada à deteção de dispositivos de espionagem, as câmaras são frequentemente camufladas em ambientadores, grelhas de ventilação, trincos de portas ou até assentos de sanita, o que as torna praticamente impercetíveis a olho nu.
De acordo com os especialistas, estas microcâmaras podem transmitir imagens em tempo real ou armazenar gravações para posterior acesso remoto por hackers ou voyeurs. O avanço da tecnologia e o baixo custo destes equipamentos facilitaram a sua proliferação, transformando uma ameaça antes digna de filmes de espionagem num risco real em centros comerciais, restaurantes ou estações de serviço.
Alguns modelos funcionam através de ligações Wi-Fi ou 4G, permitindo que o criminoso acompanhe as imagens em direto. “A tecnologia facilita mais do que nunca a vigilância oculta. Pequenas câmaras estão a ser descobertas em locais inesperados. Saber o que procurar pode evitar ser gravado sem o saber”, alertam os peritos.
Sinais de alerta e medidas preventivas
As autoridades recomendam atenção a qualquer objeto fora do lugar ou com aparência invulgar. Ganchos novos, grelhas desalinhadas ou orifícios minúsculos em paredes e azulejos podem esconder lentes. A reflexão da lanterna do telemóvel pode também denunciar a presença de uma câmara, já que as lentes tendem a refletir a luz.
Os especialistas aconselham ainda apagar as luzes para verificar se há pequenas luzes LED vermelhas ou azuis — um sinal de que o equipamento pode estar ativo. Caso o utilizador identifique um objeto suspeito, deve comunicar imediatamente ao responsável do espaço e contactar as autoridades.
Atualmente, existem no mercado detetores portáteis de câmaras ocultas que identificam sinais de transmissão ou refletores infravermelhos. Estes dispositivos são especialmente úteis para quem viaja com frequência ou utiliza alojamentos temporários.
De acordo com o 20minutos, vários casos estão já sob investigação em países europeus. Em Espanha, um homem foi detido por possuir mais de seis mil ficheiros obtidos através de câmaras escondidas em casas de banho e balneários. Situações semelhantes têm sido registadas em ginásios, aeroportos e alojamentos turísticos.
Privacidade em risco
As autoridades sublinham que estas práticas constituem crimes graves, uma vez que violam a privacidade em momentos de total vulnerabilidade. Mesmo que as imagens não sejam divulgadas, o simples ato de gravação é punível por lei.
A recomendação é clara: se algo parecer fora do normal, deve confiar-se no instinto e denunciar. A prevenção continua a ser a forma mais eficaz de proteger a privacidade e evitar que a intimidade se torne num espetáculo para terceiros.














