A Brisa assume metas ambiciosas para acelerar a transição energética, proteger a biodiversidade, reforçar a segurança laboral e impulsionar a mobilidade eléctrica.
Com investimentos significativos na promoção da biodiversidade, na diversidade e inclusão, na segurança laboral, na implementação de iniciativas de transição energética e descarbonização das operações, e na expansão da mobilidade eléctrica, a Brisa afirma-se como referência em sustentabilidade no sector rodoviário, reforçando o compromisso com práticas responsáveis, inovação ambiental e impacto positivo nas comunidades.
Nesta entrevista, Franco Caruso, director de Sustentabilidade e Comunidades da Brisa, aborda o momento actual da empresa na área ESG, revela as iniciativas e soluções que sustentam os objectivos estratégicos e aponta as prioridades para o futuro.
O Grupo Brisa alcançou pela primeira vez a classificação máxima no ranking GRESB 2024, obtendo 100 pontos em 100 possíveis. Quais foram os factores-chave que permitiram este salto?
Antes de 2024, a Brisa já tinha um desempenho de excelência ESG que lhe permitia estar no top 10% das empresas de infra-estruturas avaliadas pelo Global Real Estate Infrastructure Benchmark. O nosso maior progresso, que nos permitiu passar de 97 para 100 pontos, foi a robustez que atingimos na gestão de riscos ambientais, sociais e de governance, na dupla perspectiva da sua estratégia e da sua implementação.
Qual é o impacto deste reconhecimento internacional na estratégia de negócio e para os investidores?
Para nós, na Brisa, é um ponto de situação anual da maior importância, que nos permite medir o nosso progresso em matéria de sustentabilidade e ter uma visão relativa de onde estamos e para onde estamos a ir. O questionário do GRESB é exigente, envolve todas as áreas da Brisa, desafia-nos a ser coerentes e consistentes no nosso objectivo de ter um negócio sustentável. Não é um fim em si mesmo, é uma ferramenta de trabalho. Ter a pontuação máxima diz-nos onde estamos. Para os investidores, acredito que este reconhecimento seja também motivo de satisfação e de conforto. Accionistas como os da Brisa têm uma visão de longo prazo dos negócios e atribuem uma relevância fundamental à estratégia e ao desempenho ESG dos seus activos.
A Brisa tem o objectivo de ter mulheres em 30% das posições de liderança até 2030 e duplicar o número de mulheres em posições de primeira linha de gestão até 2025. Qual é o estado destes objectivos?
A Brisa tem o objectivo de conseguir a convergência plena entre a percentagem de mulheres no total do efectivo da empresa e a percentagem de mulheres em posições de liderança até 2029. A concretização desse objectivo está a evoluir favoravelmente: em 2019, o Conselho de Administração do Grupo não contava com nenhuma mulher, hoje conta uma administradora executiva e uma administradora não-executiva, num total de 11 administradores. Entre 2019 e 2024, a percentagem de mulheres no efectivo dos quadros dirigentes passou de 11 para 30 por cento. No mesmo período, a percentagem de mulheres em posições de liderança aumentou também de 27 para 35 por cento. O objectivo quantitativo é ter 39% em 2029.
A Brisa definiu diversos objectivos ESG para os próximos anos. Que objectivos são estes?
No âmbito do plano estratégico do Grupo Brisa, foram adoptados 11 objectivos estratégicos ESG, de longo prazo, que cobrem os pilares ambiental, social e de governance, e reportam-se a referências internacionais, entre os quais: Até 2030, – 60% de emissões de carbono associadas ao consumo de combustíveis e ao consumo de energia eléctrica – âmbito 1 e 2 (face a 2021). Até 2040, toda a actividade livre de emissões de carbono (Net Zero). Proteger as Áreas de Alto Valor Natural nas margens das nossas auto-estradas, com regeneração e recuperação efectiva da biodiversidade (nível 3 do KPI até 2028, face a 2022). Promover a Economia Circular. Reduzir o número de acidentes com baixa até 2030: LTIFR <6.0. Reduzir em 50% o número de vítimas mortais e feridos graves em acidentes de viação até 2030, em relação a 2019, até atingir o objectivo de zero vítimas mortais. Contratar pelo menos dois trabalhadores com deficiência por ano até 2028. Reforçar o cumprimento da agenda da Diversidade, Equidade e Inclusão através da implementação de um Plano de Igualdade de Género e da promoção de um ambiente inclusive. Implementar formalmente um modelo de governance de sustentabilidade. Atingir a convergência total entre a percentagem de mulheres na força de trabalho e a percentagem de mulheres em posições de liderança e, por último, ter em vigor uma política de respeito pelos Direitos Humanos e um processo de diligência devida em matéria de Direitos Humanos e declarar o seu apoio aos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos.
Que projectos de protecção da biodiversidade estão a desenvolver?
Nesta década, desde 2021, demos início a uma nova abordagem, de regeneração dos habitats, focada na protecção, promoção e restauro da biodiversidade. A nossa estratégia para a biodiversidade, intitulada Brisa Nature Positive 2030, está focada nas actividades de construção, operação e manutenção de auto-estradas desenvolvidas na sua concessão principal, a BCR. Neste momento, está em curso a implementação de acções no Nó da Pontinha (A9-CREL), bem como em diversos segmentos das auto-estradas A1, A2, A6 e A14, integrados num planeamento que vai até 2028.
Que papel a Brisa está a desempenhar na descarbonização do sector dos transportes em Portugal?
Estamos a trabalhar na transição energética das nossas operações: no presente, estamos a construir uma capacidade de auto-produção de energia fotovoltaica para autoconsumo (que irá contribuir para uma redução de 8% das nossas emissões), a implementar medidas de eficiência energética em todas as vertentes da nossa actividade, e estamos a executar uma plano de electrificação de praticamente 100 por cento da nossa frota. Ao mesmo tempo, estamos a avaliar um conjunto concreto de outras soluções de descarbonização das nossas operações. É assim que iremos reduzir em 60% a nossa pegada de âmbito 1 e 2, até 2030, face a 2021.
Como estão a adaptar as infra-estruturas para apoiar a mobilidade eléctrica e outros meios?
O nosso foco tem sido a promoção da transição para a mobilidade eléctrica, implementando uma rede de carregamentos eléctricos rápidos e ultra-rápidos nas nossas auto-estradas (com a marca Via Verde Electric), que irá atingir um total de 340 pontos de carregamento, nas nossas áreas de serviço, até ao final deste ano, com a capacidade de serem duplicados quando a procura o justificar. Ainda este ano, iremos abrir o primeiro hub de carregamento urbano, na área de serviço de Oeiras, com 20 postos de carregamento ultra-rápidos.
Com as novas regulamentações ESG europeias que entram em vigor, como está a Brisa a preparar-se?
Fazemos parte da chamada “segunda vaga” de implementação das directivas CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) e CSDDD (Corporate Sustainability Due Diligence Directive), bem como da Taxonomia. Vamos poder responder plenamente a estes requisitos, reportando o exercício de 2027, dentro dos prazos resultantes da revisão do “Omnibus”.
Qual é a estrutura de governança ESG da Brisa e como é que os critérios de sustentabilidade estão integrados nas decisões executivas?
O plano estratégico da Brisa, desenvolvido pela gestão executiva e aprovado pelos accionistas em Conselho de Administração, inclui os objectivos estratégicos, que já referi, mas, também os respectivos planos de execução, que são desenvolvidos em colaboração com as áreas e unidades de negócio. Os objectivos estratégicos são declinados em objectivos específicos de cada unidade de negócio ou de cada área específica do centro corporativo e, nessas áreas e unidades, estão identificados os responsáveis pela sua implementação e operacionalização.
Que tecnologias inovadoras está a Brisa a explorar para melhorar o seu desempenho ESG?
Começando pela descarbonização, na perspectiva do tráfego, a Brisa está a trabalhar para facilitar aos seus clientes a adopção da mobilidade eléctrica. A disponibilidade e a acessibilidade dos carregamentos são condições necessárias para os portugueses adoptarem o veículo eléctrico com confiança. Estamos, ainda, a trabalhar na implementação dos princípios da economia circular nas nossas actividades de operação e manutenção, com vista a reduzir a pegada de carbono e consumo de matérias- primas novas. Na perspectiva ESG, a segurança de clientes, trabalhadores e colaboradores é outra dimensão prioritária para a Brisa, na qual tem investido em novas soluções para aumentar a segurança de quem circula e de quem trabalha nas auto-estradas, alinhada com objectivos de redução da sinistralidade rodoviária e de redução de sinistralidade laboral.
Quais as principais prioridades ESG da Brisa para o futuro?
As prioridades ESG da Brisa incluem a descarbonização e a preservação da biodiversidade, a segurança rodoviária e a segurança laboral, a paridade de género, a inclusão de pessoas deficientes no mundo do trabalho, a promoção dos direitos humanos. São prioridades que convergem com as das nossas congéneres, nacionais e internacionais, e que dependem da colaboração com outros sectores e decisores políticos.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “ESG”, publicado na edição de Agosto (n.º 233) da Executive Digest.














