Cabaz de alimentos desce de preço pela primeira vez este ano. Curgete está quase 1 euro/kg mais cara

O preço da curgete registou o maior aumento entre os produtos alimentares desde o início de 2026, refletindo a tendência de subida de custos que afeta todo o cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste.

Pedro Gonçalves
Janeiro 29, 2026
12:46

O preço da curgete registou o maior aumento entre os produtos alimentares desde o início de 2026, refletindo a tendência de subida de custos que afeta todo o cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste.

Segundo os dados divulgados pela DECO PROteste, o cabaz com 63 bens alimentares essenciais custa esta semana 249,02 euros, uma ligeira descida face à anterior, mas ainda assim mais 7,19 euros (2,97%) do que na primeira semana do ano. Trata-se de um dos preços mais elevados desde 2022, quando a monitorização semanal começou.

Entre os produtos que mais subiram desde o início do ano, a curgete destaca-se com um aumento de 88 cêntimos por quilo, o que representa 47% face ao preço registado em janeiro, situando-se agora nos 2,77 euros por quilo. Outros produtos com subidas relevantes incluem a dourada (+20%), a pescada fresca (+16%) e a carne de novilho para cozer (+15%).

Como é calculado o preço do cabaz
O preço do cabaz é calculado semanalmente pela DECO PROteste, com base em recolhas realizadas às quartas-feiras nos principais supermercados com loja online. O valor médio de cada produto é apurado em todas as lojas analisadas e, posteriormente, somado para obter o custo total do cabaz em determinado dia. Esta metodologia permite acompanhar a evolução dos preços dos bens essenciais ao longo do tempo.

Entre os dias 21 e 28 de janeiro de 2026, os produtos com maior subida percentual foram a curgete (+17%), o atum posta em azeite (+6%) e a bolacha maria (+6%). Este aumento acompanha a tendência verificada desde o início do ano, quando a curgete lidera a lista de produtos com maior aumento de preço.

Desde 2022, os produtos que mais subiram em termos percentuais foram a carne de novilho para cozer (+128%), os ovos (+86%) e o bife de peru (+68%), refletindo o impacto de crises internacionais e fatores internos no setor agroalimentar.

Razões para a subida dos preços
A invasão da Rússia à Ucrânia, em 2022, e a consequente escassez de cereais, afetou a União Europeia e Portugal, pressionando o setor agroalimentar já fragilizado pela pandemia de covid-19 e por períodos de seca. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, incluindo fertilizantes e energia, traduziram-se em aumentos nos preços de carne, hortofrutícolas, cereais de pequeno-almoço e óleos vegetais.

Em 2023, o Governo adotou a isenção de IVA em mais de 40 alimentos, mas o efeito durou apenas alguns meses. Já em 2024, produtos como o azeite virgem extra continuaram a subir, atingindo valores máximos em abril. Em 2025, os aumentos concentraram-se em ovos, café torrado moído e chocolate.

O aumento continuado dos preços contribuiu para taxas de inflação históricas em 2022 e 2023. No entanto, estima-se que em 2025 a taxa de inflação tenha abrandado para 2,3%, ligeiramente abaixo dos 2,4% de 2024, com dezembro a fixar-se nos 2,2%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

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