Cabaz alimentar não pára de subir e já custa mais 12 euros do que no início do ano. Preço da curgete disparou 96%

O custo do cabaz alimentar essencial voltou a aumentar em Portugal e está agora no valor mais elevado desde que começou a ser monitorizado.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 12, 2026
13:18

O custo do cabaz alimentar essencial voltou a aumentar em Portugal e está agora no valor mais elevado desde que começou a ser monitorizado. Os dados mais recentes da DECO PROteste indicam que, desde o início de 2026, as famílias já pagam quase mais 12 euros pelas mesmas compras básicas, num contexto de pressão prolongada sobre o orçamento doméstico.

Esta semana, o cabaz de bens essenciais custa 253,43 euros, mais 34 cêntimos do que na semana anterior, o que representa um acréscimo de 0,13%. Apesar de ligeiro, o aumento consolida uma trajetória contínua de subida que coloca o preço do conjunto de produtos no nível mais alto dos últimos quatro anos.

Desde a primeira semana do ano, o encargo total subiu 11,61 euros, equivalente a um agravamento de 4,8%. Se a comparação recuar ao início da monitorização, a 5 de janeiro de 2022, o aumento é ainda mais expressivo: mais 65,73 euros, ou seja, uma subida acumulada de 35,02%.

Como é calculado o cabaz alimentar
A análise da DECO PROteste baseia-se no acompanhamento semanal dos preços de bens alimentares considerados essenciais. Todas as quartas-feiras é apurado o custo total do cabaz com base nos valores recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.

O método passa por calcular primeiro o preço médio de cada produto nas diferentes insígnias onde está disponível. Posteriormente, a soma desses valores médios determina o custo final do cabaz num dado momento. Ao todo, a cesta integra 63 produtos.

Legumes, café e massas lideram subidas recentes
Na última semana, entre 4 e 11 de fevereiro, os aumentos mais acentuados registaram-se em produtos frescos e de consumo frequente. A curgete destacou-se com uma subida de 29%, seguida do café torrado moído, que encareceu 19%, e da massa em espirais, cujo preço aumentou 16%.

Olhando apenas para 2026, a escalada é ainda mais significativa em alguns alimentos. Face à primeira semana do ano, a curgete quase duplicou de preço, com uma subida de 96%. O peixe-espada-preto aumentou 23% e a dourada 21%.

Num horizonte mais longo, desde 2022, os maiores agravamentos recaem sobretudo sobre proteínas e bens básicos do dia a dia. A carne de novilho para cozer encareceu 119%, os ovos subiram 86% e o café torrado moído 76%.

Quatro anos de pressão inflacionista na alimentação
A evolução dos preços alimentares tem sido marcada por sucessivos choques externos. Em 2022, a invasão da Rússia à Ucrânia afetou o abastecimento de cereais à União Europeia, incluindo Portugal, agravando um cenário já pressionado pelos efeitos da pandemia de covid-19 e por períodos de seca prolongada.

A escassez de matérias-primas e o aumento dos custos de produção — nomeadamente fertilizantes e energia — refletiram-se nos mercados internacionais e, consequentemente, no consumidor final. Carnes, hortofrutícolas, cereais de pequeno-almoço e óleos vegetais foram alguns dos produtos mais impactados.

Perante esta escalada, o Governo avançou, em abril de 2023, com a isenção de IVA para um cabaz com mais de 40 alimentos. A medida teve efeitos iniciais na contenção dos preços, mas o impacto dissipou-se poucos meses depois, com os valores a retomarem a tendência ascendente.

Já em 2024, após a reposição do imposto, alguns produtos continuaram a encarecer, com destaque para o azeite virgem extra, que atingiu o preço mais elevado em abril desse ano. Em 2025, os aumentos concentraram-se sobretudo nos ovos, no café torrado moído e no chocolate.

Apesar da pressão persistente no supermercado, os indicadores macroeconómicos mostram algum alívio. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a taxa de inflação fixou-se nos 2,3% em 2025, ligeiramente abaixo dos 2,4% registados em 2024.

As estimativas para janeiro de 2026 apontam para novo abrandamento, com a inflação a descer de 2,2% em dezembro para 1,9%. Ainda assim, esta desaceleração não tem impedido que muitos produtos alimentares continuem a registar subidas.

Para mitigar o impacto no orçamento familiar, a DECO PROteste recomenda a comparação regular de preços entre cadeias de distribuição, disponibilizando um simulador online que permite pesquisar por distrito ou concelho e avaliar quais os supermercados mais económicos para o mesmo cabaz de compras.

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