Boris Johnson desafia China com oferta de residência a 3 milhões de cidadãos de Hong Kong

A China já veio alertar que interferência do Reino Unido na ex-colónia será “um tiro que vai sair pela culatra”.

Sónia Bexiga
Junho 3, 2020
19:59

O primeiro-ministro Boris Johnson anunciou que dará a três milhões de habitantes de Hong Kong a hipótese de começar uma nova vida no Reino Unido, caso a China siga em frente com os planos de impor uma nova lei de segurança à ex-colónia britânica, noticia a ‘Bloomberg’.

A intervenção do primeiro-ministro marca uma escalada na pressão de Londres sobre Pequim contra as propostas de uma lei que atenta contra os direitos e liberdades do povo de Hong Kong.

“Muitas pessoas em Hong Kong temem pelo seu modo de vida, o qual a China prometeu defender, mas que está ameaçado”, escreveu Johnson num artigo publicado no jornal The Times of London. “Se a China justificar os medos destas pessoas, o Reino Unido não poderá, em sã consciência, encolher os ombros e ir embora; em vez disso, honraremos as nossas obrigações e forneceremos uma alternativa”, afirma ainda.

O governo chinês, por seu turno, faz saber que os comentários de Johnson representam uma interferência estrangeira em assuntos internos e garante que a China cumpriu todas as suas obrigações sob o acordo que levou Hong Kong a retornar ao estado comunista em 1997.

“Aconselhamos o Reino Unido a recuar, abandonar a guerra fria e a mentalidade colonial, reconhecer a realidade de que Hong Kong voltou à China”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, em entrevista coletiva, em Pequim, esta quarta-feira. “Deve respeitar o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais, parar imediatamente de interferir nos assuntos de Hong Kong e nos assuntos internos da China. Caso contrário, esse tiro vai sair pela culatra”, acrescentou.

A oferta de um caminho para a cidadania, feita pela primeira vez pelo secretário de Relações Exteriores Dominic Raab, na semana passada, já provocou uma resposta severa da China. Embora seja improvável que a proposta de Johnson influencie Pequim para mudar de posição, será muito popular entre os colegas do Partido Conservador, cada vez mais hostis à China.

É também provável que a intervenção do primeiro-ministro também seja bem-vinda nos EUA, onde o presidente Donald Trump intensificou sua retórica contra Pequim e pressionou Johnson a manter a Huawei fora dos sistemas 5G britânicos por motivos de segurança.

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