A Guarda Costeira dos Estados Unidos procedeu, na sexta-feira, à interceção do petroleiro Olina em águas internacionais próximas de Trindade e Tobago, tornando-se no quinto navio abordado no âmbito do bloqueio norte-americano às exportações de petróleo venezuelano. O Olina pertence à chamada “frota fantasma” ou “frota em sombra” russa, composta por navios antigos e empresas de fachada que procuram contornar sanções internacionais e manter receitas energéticas essenciais para financiar a guerra na Ucrânia.
O petroleiro partiu da Venezuela completamente carregado pouco depois da captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a 3 de janeiro de 2026, navegando inicialmente sob bandeira de Timor Leste, informação agora corrigida para a bandeira russa, segundo a base de dados pública Equasis.
Em comunicado nas redes sociais, a Secretária Kristi Noem afirmou: “O mundo do crime está avisado. Esta operação contra o Olina é parte do esforço para impedir que navios da ‘frota fantasma’ transportem petróleo sancionado.”
O Olina junta-se a uma lista de navios recentemente sancionados pelos Estados Unidos, incluindo o Marinera, o M Sophia e o Skipper, todos intercetados nas últimas semanas. A operação contra o Marinera, que navegava pelo Atlântico Norte, ocorreu após duas semanas de perseguição, durante as quais Moscovo mobilizou um submarino para proteger o navio.
O M Sophia, um superpetroleiro panamenho, navegava com o transponder desligado e exibindo falsamente a bandeira do Camarões, enquanto transportava crude venezuelano em direção à China. Já o Skipper foi abordado a 10 de dezembro de 2025, poucos dias antes de Donald Trump ordenar um bloqueio total à entrada e saída de navios petrolíferos sancionados pelo governo norte-americano, numa medida de pressão sobre o regime de Maduro, acusado por Washington de liderar uma rede de tráfico de drogas.
Entre os navios que regressaram a águas venezuelanas na quinta-feira encontram-se o Skylyn, Min Hang e Merope, todos completamente carregados e pertencentes à mesma flotilha que partiu da Venezuela na semana anterior.
O funcionamento da frota fantasma russa
A “frota fantasma” é composta por centenas de petroleiros antigos que operam fora dos circuitos de seguros e registos ocidentais, utilizando empresas de fachada e apagando sistemas de rastreamento. Estes navios realizam frequentemente transbordos entre embarcações para ocultar a origem do petróleo, que acaba em refinarias asiáticas e regressa ao mercado mundial com nova etiqueta.
Este sistema permite à Rússia manter receitas energéticas vitais para financiar o esforço bélico, mesmo vendendo crude com desconto e assumindo riscos acrescidos de acidentes e poluição. Os Estados Unidos consideram esta frota um elemento central da capacidade económica e militar de Moscovo, razão pela qual se tornou prioridade nas sanções internacionais.
O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou dezenas de empresas e mais de cem petroleiros ligados a esta rede, aumentando os riscos legais e financeiros para qualquer entidade que transporte ou assegure petróleo russo acima do preço teto definido pelo G7.
Coordenação internacional e tensão diplomática
Washington combina estas medidas com operações de interceção em alto-mar contra petróleo russo, iraniano ou venezuelano, provocando tensões diplomáticas com Moscovo, que acusa os EUA de violar a liberdade de navegação e militarizar o comércio energético.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos coordenam estas ações com a União Europeia e o G7, que reforçam pacotes de sanções e atualizam listas de navios identificados como parte da “frota fantasma”. A estratégia oficial norte-americana procura reduzir os rendimentos energéticos do Kremlin sem desestabilizar o mercado mundial de petróleo, focando-se especificamente nas receitas de guerra e não num embargo total ao crude russo.














