Avanço do mar coloca apartamentos de milhões em risco no Algarve

Erosão registada nos últimos dias levou ao quase desaparecimento do areal e colocou várias estruturas junto à linha de água numa situação de risco iminente

Revista de Imprensa
Janeiro 6, 2026
9:27

O avanço do mar na Praia do Forte Novo, em Quarteira, no Algarve, voltou a expor a vulnerabilidade de uma frente costeira onde existem edifícios avaliados em mais de um milhão de euros. A erosão registada nos últimos dias levou ao quase desaparecimento do areal e colocou várias estruturas junto à linha de água numa situação de risco iminente.

A situação agravou-se após episódios de forte agitação marítima que afetaram toda a frente litoral entre Quarteira e Vale do Lobo, reacendendo o alerta para uma zona que não recebe intervenções de proteção costeira há mais de uma década. De acordo com o ‘Correio da Manhã’, há construções recentes cuja segurança depende diretamente da evolução das condições do mar.

Nos últimos dias, a Praia do Forte Novo ficou praticamente sem areia numa extensão aproximada de dois quilómetros. A ondulação intensa removeu o areal que protegia a base das arribas, deixando várias estruturas expostas à ação direta do mar.

Imagens captadas por drone mostram a reduzida distância entre a linha de água e edifícios implantados muito perto da costa. O jornal diário relata que um restaurante da zona chegou a estar sustentado apenas por estacas de madeira, numa situação considerada crítica.

Imóveis avaliados entre um e três milhões em risco

Entre as construções mais expostas encontram-se apartamentos recentes, com valores de mercado estimados entre um e três milhões de euros. Estas edificações localizam-se numa área onde a erosão costeira tem avançado de forma progressiva e contínua.

A última operação de alimentação artificial de areia nesta faixa costeira ocorreu há cerca de 15 anos. Desde então, não foram realizadas novas intervenções estruturais, apesar dos sucessivos alertas para a necessidade de proteção do litoral.

A localização da Praia do Forte Novo contribui para a dimensão do problema. Trata-se de uma área situada fora do núcleo urbano mais denso, sem a proteção de molhes ou outras infraestruturas capazes de atenuar o impacto da ondulação.

Nesta zona predominam arribas baixas e macias, frequentemente atingidas pelo mar, sendo comum observar árvores com as raízes expostas, sinal da progressiva perda de território costeiro.

Área de transição aumenta fragilidade do território

O Forte Novo funciona como uma zona de transição entre o tecido urbano de Quarteira e Vilamoura e uma área de caráter mais natural, marcada por pinhais e lagoas costeiras. Esta condição torna o local particularmente sensível a alterações no equilíbrio costeiro.

A poente, a maior densidade de construções contrasta com a fragilidade do território a nascente, onde a pressão do mar se faz sentir com maior intensidade. A redução acentuada da largura do areal tem sido uma constante nesta frente marítima.

Especialistas e autarquias têm vindo a alertar para a necessidade de intervenções urgentes nesta zona do litoral algarvio. O cenário atual reforça a perceção de que, sem medidas de contenção, o avanço do mar poderá comprometer património construído num curto espaço de tempo.

Apesar disso, a Praia do Forte Novo mantém-se acessível por via pedonal e rodoviária, embora com um perfil cada vez mais frágil. O equilíbrio entre ocupação humana e dinâmica natural continua por resolver numa das áreas mais expostas da costa algarvia.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.