A Câmara Municipal de Coimbra prepara-se para nomear a vereadora Maria Lencastre Portugal, que abandonou o Chega e passou a independente, para a direção de uma escola profissional da cidade, numa decisão que já está a gerar contestação política. De acordo com o ‘Correio da Manhã’, o convite partiu da coligação que governa a autarquia — composta por PS, Livre, PAN e o movimento Cidadãos por Coimbra — liderada pela antiga ministra socialista Ana Abrunhosa.
Em causa está o cargo de gestora executiva do Instituto Técnico Artístico e Profissional de Coimbra (ITAP). De acordo com o jornal diário, a função prevê uma remuneração de cerca de quatro mil euros mensais, incluindo despesas de representação. Na prática, a nova posição colocaria Maria Lencastre Portugal com um rendimento semelhante ao dos vereadores com pelouro, apesar de atualmente não receber salário da autarquia por não exercer funções executivas.
O convite terá sido apresentado no último fim de semana e aceite pela vereadora independente na segunda-feira seguinte. No entanto, a eventual nomeação tornou-se rapidamente polémica, gerando críticas tanto na oposição como entre parceiros da própria coligação e até dentro do PS. Fontes conhecedoras do processo indicaram ao jornal que, perante a contestação, a decisão dificilmente será formalizada nas próximas semanas.
O peso político de Maria Lencastre Portugal ajuda a explicar a sensibilidade do tema. A vereadora é considerada o “fiel da balança” no executivo municipal: o bloco liderado por Ana Abrunhosa tem o mesmo número de eleitos que a coligação de direita e o voto da antiga militante do Chega tornou-se determinante para garantir maiorias. Desde que abandonou o partido de André Ventura, em janeiro, apenas uma vez se afastou da posição do executivo socialista, optando pela abstenção.
A própria vereadora confirmou à agência Lusa que foi lembrada pelo executivo municipal para o cargo, referindo que a presidente e o vice-presidente da autarquia a convidaram por ter estado “em uníssono com o Executivo”. Ainda assim, sublinhou que uma eventual ida para o ITAP não implicaria qualquer compromisso de disciplina de voto nas decisões políticas da autarquia. Contactada pelo jornal, Ana Abrunhosa optou por não comentar o caso.
O ‘Correio da Manhã’ relata ainda uma situação semelhante noutra autarquia socialista. Em Bragança, a presidente da câmara, Isabel Ferreira, nomeou José Pires — antigo deputado municipal eleito pelo Chega no mandato anterior — para chefe de gabinete. A autarca esclareceu ao jornal que, quando foi designado em janeiro, Pires era independente e não militante de qualquer partido, acrescentando que a nomeação não obedece legalmente a critérios partidários.
Professor de profissão, José Pires já tinha desempenhado funções autárquicas como presidente da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo pelo PSD e também teve ligação ao partido Aliança.




