Altice Labs e ESA vão pôr 5G português no espaço. Lançamento está marcado para 2027

 A Altice Labs e Agência Espacial Europeia (ESA), com o suporte da MEO, avançaram para a segunda fase do projeto “5G Nanosatellite” que levará um terminal 5G bidirecional para o espaço.

André Manuel Mendes
Outubro 16, 2025
10:00

 A Altice Labs e Agência Espacial Europeia (ESA), com o suporte da MEO, avançaram para a segunda fase do projeto “5G Nanosatellite”, uma iniciativa inovadora que prevê levar, pela primeira vez, um terminal 5G bidirecional para o espaço.

O lançamento está previsto para 2027 e poderá revolucionar a forma como se garante conectividade à escala global.

O objetivo passa por integrar tecnologias de comunicação de última geração em nanosatélites, criando um terminal capaz de operar de forma quase permanente em órbita baixa (LEO). O sistema baseia-se numa solução de Software Defined Radio e Software Open-Source, suportada por um chip RFSoC da AMD, integrado num CubeSat 3U a 500 km de altitude. Esta abordagem permite eliminar componentes externos, reduzir custos e tirar partido da infraestrutura terrestre 5G e dos padrões definidos pelo 3GPP para Redes Não Terrestres (NTN).

Ao contrário das soluções atuais, que dependem fortemente de estações em terra, esta tecnologia permitirá manter ligações quase contínuas entre o satélite e a rede terrestre, representando um avanço significativo para comunicações em zonas remotas ou de difícil acesso.

Além de desenvolver um terminal 5G User Equipment (UE) e antenas específicas para nanosatélites, o projeto inclui a criação de uma nova geração de 5G Node B (gNB) adaptada a NTN. Esta solução promete reduzir o número de estações-base necessárias para cobrir a maioria das órbitas baixas e garantir conectividade mais eficiente, com capacidades de handover e roaming padronizadas a nível global.

Esta tecnologia permitirá “eliminar a dependência exclusiva de estações terrestres para o recebimento de dados de missão e ainda baixar os custos de comunicação”, sublinha a Altice Labs.

Três fases até ao lançamento

O projeto, que conta também com a colaboração do IST NanosatLab e da Universidade do Luxemburgo/SnT, está estruturado em três fases:

  • Fase 1 (2024): Definição de requisitos e testes de viabilidade, concluída com sucesso em outubro.
  • Fase 2 (2025-2026): Desenvolvimento de hardware e testes em solo, com a instalação de estações gNB em três localizações em Portugal. Uma demonstração recente, a 8 de abril, provou a capacidade do terminal em transmitir vídeo em tempo real para a internet.
  • Fase 3 (2027): Lançamento do satélite e validação em ambiente real.

Com este projeto, Portugal reforça o seu papel como polo de inovação tecnológica no setor espacial e contribui para uma nova era de comunicações móveis integradas com redes satélite — com aplicações que vão da indústria e agricultura à proteção civil.

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